Economia e reativação do turismo à espera da vacinação em massa

Sérgio Botêlho – A retomada da economia – e, especialmente a reativação do turismo – somente vai acontecer com a vacinação em massa, no Brasil e no mundo. Sobre isto, não pode haver dúvida. 

E, por enquanto, sem ainda muita perspectiva para uma vacinação de efetiva abrangência, no Brasil, o futuro mais imediato para a reativação do turismo no país não é promissor. Diferentemente disso, as notícias são desanimadoras.

Aglomerações e seus resultados

Bastou um refresco no turismo de lazer, neste final de ano, para as coisas se complicarem no campo das infecções por Covid-19. As aglomerações do final do ano estão sendo desastrosas para o trabalho de controle da pandemia.

Em São Paulo, segundo números da Folha, as internações subiram 19% nas últimas duas semanas (entre 29 de dezembro a 12 de janeiro): de 11.070 para 13.175. A taxa de ocupação de leitos está em 66,3%.

Por outro lado, de acordo com o jornal paulista, nesse período, o total de mortes passou de 16.163 para 16.990. Foram 827 novos óbitos, um aumento de 5,5% em relação a todo período da pandemia em apenas 14 dias.

E tem mais: após alta de internações por Covid-19, hospital Albert Einstein bloqueou pacientes de outros estados. Há alguns meses, doentes de outras regiões chegaram a ocupar 25% dos leitos de UTI do hospital.

Mutações

“Há mais mutações no Sars-CoV-2 em circulação no Brasil e no mundo, e isso é resultado do aumento da propagação da pandemia. Antes encontrávamos novas linhagens com uma ou duas mutações. Agora, elas apresentam de 15 a 20 mutações, algumas delas importantes”.

A afirmação é do virologista Fernando Rosado Spilki, coordenador da Rede Corona-ômicaBR/MCTI, criada para a vigilância genômica do coronavírus, em entrevista também à Folha de São Paulo.

Recrudescimento

Portanto, o recrudescimento do processo de infecção e de mortes vem crescendo em todo o país, não apenas por conta do afrouxamento das medidas de isolamento como também em virtude dessa mutação do vírus. Juntando uma coisa à outra, o resultado é explosivo.

Assim sendo, como promover um reerguimento do turismo em meio a uma situação assim, de total insegurança com relação ao avanço da pandemia, não apenas para o trade como, principalmente, para os viajantes.

Por isso é que governos de vários países vêm tomando medidas drásticas visando aumentar o percentual de isolamento social e, mesmo, de fechamento total, o chamado lockdown. Evidentemente, visando reduzir os contágios.

Em São Paulo, mesmo, o governo estadual não vê outra forma de impedir o avanço da Covid-19 senão promovendo novos fechamentos, para evitar a superlotação dos hospitais, tanto públicos quanto privados.

O resultado dessa superlotação não apenas reverteria em favor de mais mortes por Covid, como também com relação a outras doenças, impossíveis de serem tratadas em hospitais já com capacidade esgotada por conta da Covid-19.

Evitar o medo permanente

Neste momento, o que se faz necessário é paciência e juízo. De forma mais veemente, da parte do trade e dos governos. É tolice pensar que isolamento e economia não combinam. Bem diferente disso, o que não combinam, mesmo, é a irresponsabilidade na liberação geral no sentido de salvar a economia. 

O medo generalizado que se espalhará tende a ser o maior inimigo para uma verdadeira retomada do turismo aos moldes do que existia antes da pandemia.

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