João Pessoa e suas histórias: a balaustrada das Trincheiras

Por Sérgio Botêlho – Ali pela década de 60 a balaustrada das Trincheiras (ou da João da Mata, via que dá continuidade sem obstáculos às Trincheiras) ainda resistia na condição de atrativo da cidade de João Pessoa. Ma non troppo, já! Havia fortes razões para a queda no prestígio da atração. Se há desconhecimento, vejamos.

Construída nas vésperas da década de 20 do século passado, em 1918, no limiar das fortes mudanças urbanas ocorridas na Cidade da Paraíba, atual João Pessoa, a balaustrada das Trincheiras era uma atração enorme na capital paraibana.

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Na verdade, a obra foi erguida para separar a avenida do precipício existente à sua margem, em uma cidade de tipo nova que emergia acompanhando o crescimento econômico do estado.

Ao longo das Trincheiras iam sendo construídas espetaculares mansões por ricos produtores de cana de açúcar e algodão, principalmente, mas também por comerciantes e profissionais liberais beneficiários do boom agrícola.

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Aliás, eram essas figuras e seus familiares os mais diretamente favorecidos pela épica construção, não só pela proteção oferecida, do ponto de vista da segurança local, mas da mesma forma pelas tardes maravilhosas de pôr do sol ali ofertadas.

Naquele espaço, as famílias dos abastados proprietários das Trincheiras, em meio à primeira metade do Século XX, passavam fins de tarde memoráveis, com direito à bela paisagem da Várzea da Paraíba e da Ilha do Bispo.

Evidentemente estamos falando de uma época de ouro daquele conjunto a permitir uma visão espetacular da natureza paraibana que coincide com a fase em que não existia a fábrica de cimentos que foi construída na Ilha do Bispo na década de 30.

Com a fábrica, a primeira coisa a sofrer definitivamente foi o espetacular panorama viável a partir do mirante da balaustrada. Depois, a própria balaustrada, desprezada pelo poder público e vítima de uma ocupação desenfreada das encostas provocada pela miséria crescente no entorno da cimenteira. E, convenhamos, da própria abastança da nova e importante avenida.

Na sequência, os donos das mansões e suas famílias foram mudando de endereço, e simplesmente abandonado as suas mansões, na direção de locais mais tranquilos e distantes do populacho e dos ruídos da cidade que continuava crescendo.

Hoje, as Trincheiras, em toda a sua extensão, é um enorme e trágico exemplo de descaso do poder público, em suas diversas sucessões, pelo patrimônio histórico e emotivo da cidade de João Pessoa.

Algo a se lastimar profundamente!

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