Maravalha e os primeiros movimentos pelo turismo pessoense

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Sérgio BotêlhoEm meio à década de 70 ergueu-se um equipamento de lazer na orla marítima de Tambaú que acabou fazendo história na capital paraibana: o Maravalha Praia Clube. O moinho de idéias chamado Willis Leal (recentemente falecido), descendente em linha direta de José Leal, decano da imprensa paraibana, foi o responsável. Homem ligado à história do jornalismo, do cinema e do turismo paraibanos, celibatário por convicção, e amigos, fundaram o Clube dos Solteiros. A expressão física e espiritual desse clube acabou sendo o bar e restaurante Maravalha, na Avenida Tamandaré, em Tambaú, a rainha das praias urbanas pessoenses.

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O Maravalha situava-se vizinho ao Edifício Cannes, tendo promovido durante sua existência, que não foi tão longa, lamentavelmente, mas o suficiente para não ser esquecido, festas homéricas reunindo associados e convidados. Na parte da frente, ocupando generoso terreno, estavam as mesas para servir a quem bem quisesse e entendesse no dia a dia da vida boêmia e turística de Tambaú. A localização e a mística do Maravalha atraiam centenas de fregueses, celibatários ou casados, especialmente nos finais de semana, quando Tambaú, como ainda hoje acontece, recebia milhares de frequentadores em suas areias.

Uma festa

No Maravalha predominava a música eletrônica, mas, nos finais da tarde, eram comuns rodas de violão em suas mesas, acompanhadas por batuqueiros improvisados. A festa do dia, não raramente, entrava pela noite. A alegria predominava no Maravalha, tendo se transformado em um dos points turísticos de João Pessoa naquela época. Aliás, registre-se que eram poucas as ofertas nesse setor na capital paraibana daqueles tempos.

De onde Willis tirou o nome de Maravalha, há pistas. Na cidade de São Miguel de Taipu, a história registra o Engenho Maravalha, da família Lins, certamente parentes de José Lins do Rego, que também era filho dos engenhos paraibanos. Nascido a menos de 100 quilômetros das terras do Engenho, em Alagoa Nova, Willis Leal pode ter ido buscar por ali a sua inspiração. Ou então sido motivado por alguns dos fundadores do Maravalha, quiçá descendente direto dos Lins de São Miguel do Taipu.

Só sei dizer que, seja lá como tenha sido, o Maravalha foi desses ambientes do lazer pessoense que marcaram época. E, tanto assim, que ainda domina a nossa memória sobre a João Pessoa de algumas décadas atrás. Justamente quando se estava construindo o viés turístico da cidade, rumo a uma vocação da qual, apesar de naturais idas e voltas, vai se firmando irresistivelmente.

E, nessa construção turística de João Pessoa, Willis Leal, seus companheiros de então, e o Maravalha, têm lugar de destaque.

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