Caiana dos Crioulos: refúgio de ancestralidade afro-brasileira

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Sérgio Botêlho – Há um lugar na Paraíba em que as manifestações culturais nada têm de kitsch: Caiana dos Crioulos. Porque, lá, o coco de roda e a ciranda e mais uma porção de comportamentos vinculados à sensibilidade humana guarda fortíssimos traços seculares. Principalmente, porque são transmitidos de pai para filhos e filhas.

No local vivem dezenas de famílias descendentes em linha direta dos escravos que viveram nessa condição por mais de 300 anos no Brasil. Sobre a origem bem definida de que situação surgiu Caiana há discordâncias.

Há quem diga que a comunidade surgiu de uma “rebelião ocorrida quando do desembarque de um navio negreiro aportado em Baía da Traição, no litoral norte da Paraíba. No entanto, outros entendem que teria surgido a partir da chegada, a Alagoa Grande, de sobreviventes do massacre do Quilombo dos Palmares, o que justificaria a existência da localidade denominada Zumbi, nas proximidades do município”, destaca documento do Incra.

Emancipação Areiense

Existe a versão do historiador Celso Mariz que aventa a “possibilidade de a origem do quilombo estar ligada à Emancipadora Areiense – movimento abolicionista liderado por Manuel da Silva, na cidade vizinha de Areia, que libertou os escravos do lugar antes da Lei Áurea”, de acordo com citação do documento acadêmico “Performance musical e história: os cocos da Caiana dos Crioulos”, Eurides de Souza Santos e Marília Cahino Bezerra.

Caiana dos Crioulos
Caiana dos Crioulos. Crédito da foto: Incra

Seus habitantes vivem da agricultura familiar. “Além das culturas de subsistência, como feijão, fava, milho, mandioca, inhame e batata-doce, a criação de animais e a fruticultura predominam em Caiana dos Crioulos”, ressalta o documento do Incra. 

Conforme esclarece o decreto de homologação, de número 9.521, de 05 de outubro de 2018, a região está inserida nos municípios de Alagoa Grande, Matinhas e Massaranduba. Contudo, o entendimento consagrado é de que pertence à zona rural de Alagoa Grande.

Sobrevivência

Antes de mais nada, o problema agora está colocado para os quilombolas no patamar da sobrevivência. Afinal, sem empregos suficientes, cuida a comunidade de explorar o turismo

Caiana dos Crioulos
Caiana dos Crioulos. Crédito da foto: Sebrae

rural, baseado na importância da transmissão de sua cultura tão tradicional.

É possível, já, encontrar algum comércio de artesanato local. Além de conhecer o Trilha Reino Encantado, Trilha da Mandala e museu. Mas também ouvir lendas e crenças contadas pelos próprios habitantes.

Dessa forma, procurando contribuir, o Para Onde Ir divulga, neste post, alguns vídeos produzidos diretamente de Caiana dos Crioulos. Um presente para quem ama as culturas tradicionais e sua preservação.

(Sérgio Botêlho)

FONTES:

Performance musical e história: os cocos da Caiana dos Crioulos. Eurides de Souza Santos e Marília Cahino Bezerra. 

https://www.anppom.com.br/congressos/index.php/23anppom/Natal2013/paper/viewFile/2581/401

Decreto de homologação administrativa do território quilombola Caiana dos Crioulos

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/Decreto/D9521.htm

Comunidade quilombola paraibana comemora regularização de parte do território

http://www.incra.gov.br/pt/comunidade-quilombola-caiana-dos-crioulos-comemora-regularização-de-parte-do-território.html

Turismo Rural na comunidade quilombola de caiana dos crioulos-PB: Análise dos elementos folkcomunicacionais como estratégia para o desenvolvimento local. Leylane Bertoldo de Campos e Severino Alves de Lucena Filho.

https://www.revistas.uepg.br/index.php/folkcom/article/view/1950/1384

VÍDEOS:

DICA DE LIVRO

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3 thoughts on “Caiana dos Crioulos: refúgio de ancestralidade afro-brasileira

  1. Boa noite, nasci na cidade do Rio de Janeiro em 1948… Sou bisneta e neta de um senhor desta cidade… Minha avó nasceu em um engenho na cidade de Sapé no ano de 1897, minha bisavó, já tinha sido alforriada…
    Buscando minhas origens e minha história, tudo que pude pesquisei…
    Estou fechando minha biografia e os dois lados da minha origem NEGRA e INDíGENA… São muitas histórias que não foram contadas…
    Brevemente estarei indo conhecer esta cidade e buscar respostas para minha história para minha Biografia que está escrita…

    Zélia Fernandes-Funcionária aposentada do IBGE tendo completado 50 anos de Instituição; Ex-funcionária da Marinha do Brasil; Formada em Pedagogia e Administração pela UERJ e Pós-graduada pela Universidade
    Gama Filho. Dentre outras pertenço a Diretoria das seguintes Instituições Literárias no RJ: Presidente da Associação dos Diplomados da Academia Brasileira de Letras (ADABL), Presidente fundadora da Academia Infantojuvenil de Letras e artes do estado do Rio de Janeiro, fundadora da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Rio de Janeiro, nas Diretorias da Academia Brasileira de Belas Artes, da Academia de Medalhística Militar, do Pen-Clube do Brasil e Vice-Presidente Cultural do Grêmio Recreativo Escola de Samba ARRANCO DO ENGENHO DE DENTRO dentre outras…

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