PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A tipografia na Paraíba e os primeiros jornais paraibanos (1826-1850)

Sérgio Botelho – Entre Johannes Gutenberg criar os tipos móveis, por volta de 1440, e a chegada do sistema de impressão tipográfica ao Brasil, em 1808, quase 400 anos se passaram. A data, não fortuitamente, coincide com a chegada da Família Real portuguesa ao Rio de Janeiro (desembarque ocorrido em março de 1808) e com a implantação da Imprensa Régia. Foi então que a técnica de dispor letras, números e sinais gráficos de forma organizada e visualmente eficaz passou a ser usada para a impressão em tinta, no papel, inicialmente no Rio e, depois, no resto do Brasil.

Com o surgimento das tipografias no Brasil, começaram a ser distribuídos os primeiros jornais com conteúdo nacional. Até então, todo e qualquer impresso no país era produzido em Portugal. Em 10 de setembro de 1808, por exemplo, circulou, no Rio, como impresso local, a Gazeta do Rio de Janeiro, na condição de jornal oficial da Corte Portuguesa no Brasil. (Apesar disso, entre junho de 1808 e dezembro de 1822, fez sucesso no Brasil o que é considerado o primeiro informativo impresso regular de inspiração nacional: o Correio Braziliense ou Armazém Literário. Porém, impresso em Londres e dedicado a fustigar a Coroa Portuguesa).

Na Paraíba, logo na primeira metade do Século XIX, começaram a funcionar as primeiras tipografias. Ao menos três consegui identificar nos expedientes de jornais da época: a Tipografia Nacional da Paraíba, que se instalou inicialmente em Recife e imprimiu, entre 1826 e 1828, o primeiro jornal do estado – a Gazeta do Governo da Paraíba do Norte (um jornal governamental); a Tipografia Municipal, por detrás da Matriz (sic); e a Tipografia de José Rodrigues da Costa, na Rua Direita (atual Duque de Caxias).

Por meio delas, mas também de tipografias pernambucanas, foram impressos jornais que inauguraram a imprensa na Parahyba, já naquela primeira metade do Século XIX. São jornais que existiram na época, com foco na Paraiba, além da Gazeta do Governo da Paraíba do Norte: O Republico (1832); Profecia Política (1832); O Verdadeiro Monarchista (1841); Correio Official (1849); O Progresso: Revista literária, social e científica (1846 a 1848); A Ordem (1849); O Reformista (1849 a 1850); Alva (1850) e O Governista Parahybano (1850).

Assim, essas primeiras tipografias paraibanas não só trouxeram a tecnologia da imprensa ao estado, mas também lançaram as bases de sua história escrita. Por meio dos jornais que produziram, registraram ideias, debates e a identidade de uma época, se configurando como parte elementar da memória cultural da Paraíba.

 

Fontes de pesquisa: Memória da Biblioteca Nacional e arquivo digital do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPB.

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