PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Aristides Lobo

Sérgio Botelho – Nosso tema predominante nos últimos dias tem sido o antigo Campo do Conselheiro Diogo, que virou as atuais praças Aristides Lobo e Pedro Américo, e a evolução daquela região urbana pessoense.

Hoje, vamos falar sobre um dos homenageados com seu nome em uma das praças, no caso Aristides da Silveira Lobo, nascido em Mamanguape a 12 de fevereiro de 1838.

Seus estudos iniciais foram feitos na Parahyba. Porém, ainda criança, foi residir em Alagoas, onde fez carreira política, após formado pela Faculdade de Direito do Recife. No Partido Liberal, conquistou, em 1863, o primeiro mandato de deputado geral, representando Alagoas, o que se repetiu em 1867.

Em meio ao segundo mandato de deputado geral, em 1868, ocorreu forte crise política. O gabinete imperial tinha composição liberal, apoiado na maioria partidária vigente na Câmara.

O Brasil, naquele momento, estava envolvido na Guerra do Paraguai (1864-1870) e Duque de Caxias, comandante das tropas nacionais, um conservador, se desentendeu com o então ministro da Guerra.

Após soluções intermediárias, o gabinete liberal foi dissolvido por Dom Pedro II, assim como a própria Câmara. Convocadas novas eleições, os conservadores fizeram maioria e formaram o novo gabinete.

A partir daí, Aristides Lobo passa a ser um republicano radical. Em 1870, tornou-se redator do jornal A República, cujo primeiro número, de 3 de dezembro, publicou o Manifesto Republicano.

Aliás, ele passou também a defender o federalismo, em prol da descentralização do poder, e abolicionista. Enfim, um civilista, ou seja, defensor de uma República com maior protagonismo político civil.

Como curiosidade, é dele famosa frase com que foi descrita a reação popular à implantação da República. Segundo disse, o povo assistira à mudança de regime “bestializado, atônito, surpreso, como se assistisse a uma parada militar”. Uma expressão de, ainda hoje, divergentes interpretações.

Entre 1891 e 1894, cumpriu mandatos de deputado federal e de senador, pelo Distrito Federal (então, o Rio de Janeiro). Faleceu em 27 de março de 1896, em Barbacena-MG.

Sérgio Botelho é jornalista e escritor.

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