ONU alerta sobre recorde nas emissões de carbono na última década

Sérgio Botêlho – Segundo a entidade, o mundo caminha para um aquecimento global mais do que o dobro do limite de 1,5 grau Celsius, que foi o acordado em Paris 2015

O mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) diz que “as emissões nocivas de carbono de 2010-2019 foram as mais altas na história da humanidade, com aumentos de emissões registrados em todos os principais setores do mundo”.

O tom do documento é realmente alarmista, e não poderia ser diferente. Segundo o secretário-geral da ONU, o teor do documento “não é ficção ou exagero. É o que a ciência nos diz que resultará de nossas atuais políticas energéticas. Estamos no caminho para o aquecimento global de mais que o dobro do limite de 1,5 grau Celsius que foi acordado em Paris em 2015″. 

Enquanto isso, de acordo com um atualizado banco de dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), “quase toda a população do mundo (99%) respira ar que excede os limites de qualidade recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), revelou a atualização de 2022 do banco de dados de qualidade do ar da agência”.

Em todo mundo, conforme o documento estatístico, as pessoas respiram níveis insalubres de material particulado fino e dióxido de nitrogênio, principalmente em países de baixa e média renda. E o quadro segue piorando.

Da parte dos cientistas e de organismos internacionais vinculados à questão do meio ambiente, os alertas vêm se sucedendo ultimamente em uma velocidade cada vez maior, correspondente ao estonteante aumento dos graus de poluição em todas as partes do mundo, evidentemente provocados pelo ser humano.

Destacadamente, esses alertas vêm insistindo cada vez com maior ênfase na necessidade de a humanidade se livrar o mais rapidamente possível da utilização de combustível fóssil, que, segundo a OMS, é o principal causador da poluição do ar e de 7 milhões de mortes por ano.

De acordo com o documento da organização, o material em partículas, especialmente o PM2,5, é capaz de penetrar profundamente nos pulmões e entrar na corrente sanguínea, causando impactos cardiovasculares, cerebrovasculares (AVC) e respiratórios. Há evidências emergentes de que o material particulado afeta outros órgãos e também causa outras doenças.

Por outro lado, o dióxido de nitrogênio (NO2) está associado a doenças respiratórias, principalmente asma, levando a sintomas respiratórios (como tosse, chiado ou dificuldade para respirar), internações hospitalares e busca por serviços de emergência.

A menos que uma ação seja tomada em breve, algumas grandes cidades ficarão submersas, afirmou o secretário-geral Guterres em uma mensagem de vídeo, que também prevê “ondas de calor sem precedentes, tempestades aterrorizantes, escassez generalizada de água e a extinção de um milhão de espécies de plantas e animais”.

É verdade que vem aumentando a utilização de fontes alternativas de energia, com especial relevância para a energia solar e a eólica. O importante é que, segundo os cientistas, ainda é possível reduzir pela metade as emissões até 2030, a depender da ênfase que os governos nacionais e, mesmo, regionais, emprestem ao assunto.

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