Sérgio Botelho – Entre as décadas de 1940 e 1960, o grande meio de comunicação do Brasil era o rádio. Muitas cidades do interior e, principalmente, os sítios, tinham como alternativa os rádios de pilha. Aliás, rádios grandes de pilhas grandes.
O maior sucesso ficava por conta das transmissões em AM, Amplitude Modulada, bem diferente de hoje, onde as FMs, Frequência Modulada, dominam completamente a radiofonia executada por meio de ondas hertzianas.
E havia também as Ondas Curtas, a permitirem transmissões audíveis (logicamente que com chiado e uma certa montanha russa na altura do som) entre países de diversos continentes.
Como mais uma facilidade para as transmissões de rádio a longa distância, notadamente à noite, o número de emissoras era bem menor do que hoje, fazendo com que fosse possível um alcance mais limpo de cada estação, num espaço de propagação das ondas bem mais livre.
Numa cidadezinha do interior da Paraíba, certo senhor, proprietário de um receptor de rádio Transglobo, enorme e potente, que pegava emissoras do Rio, São Paulo, Londres, Moscou, Pequim, Paris, Nova Iorque etc, juntava vizinhos todas as noites.
E ficavam por ali a ouvir o noticiário, antecedido pela origem da notícia na forma das mais famosas capitais do país e do exterior. Tudo relatado por locutores que pulverizavam as distâncias entre essas cidades.
Os ouvintes seguiam em silêncio, aqui e ali quebrado pelo dono do rádio, a pontuar notícias, comentar situações, atiçar curiosidades, enfim, intervir como se fora um grande entendedor da realidade nacional e internacional.
Um dia, estavam todos naquela cerimônia de sempre, ao redor do rádio, quando o céu começou a se preparar para uma chuva que parecia torrencial. De vez em quando, alguém olhava para o céu e arriscava: “vem chuva!”.
Pareciam querer ouvir o dono do rádio, também dono da última palavra e do parecer definitivo sobre a situação. E ele não se fez de rogado: “meus compadres, aqui pros lados de Pequim, Paris, Moscou, Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro e João Pessoa é uma chuva só!”. kkkkkk
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