São Paulo e suas histórias: a estátua de Madrinha Eunice, na Liberdade

Sérgio Botêlho – Recuperando suas raízes africanas, a Liberdade, em São Paulo, expõe, na praça de maior carga histórica do bairro, escultura da Madrinha Eunice (Deolinda Madre) fundadora da Escola de Samba Lavapés e matriarca do samba paulistano

Estátua da sambista Madrinha Eunice na Praça da Liberdade São Paulo
Estátua da sambista Madrinha Eunice na Praça da Liberdade São Paulo

De elevada carga histórica, a praça da Liberdade, no bairro do mesmo nome, expõe, logo à saída da Estação Liberdade, do metrô paulistano, a escultura de Madrinha Eunice (Deolinda Madre), matriarca do samba paulistano.

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Com a homenagem à Madrinha Eunice, a Liberdade aviva suas raízes, que são fincadas na duríssima vida dos africanos e de seus descendentes, origem hoje em dia completamente ofuscada pela presença asiática, especialmente de japoneses, chineses e coreanos.

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Nesse sentido, cresce o movimento para que a herança africana no bairro da Liberdade seja devidamente reconhecida e valorizada, sem que seja necessário, por isso, apagar a contribuição asiática tão fortemente presente, hoje.

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Piracicabana de nascimento, vindo ao mundo em 1909, Deolinda chegou na Liberdade, ainda criança, com os seu pais alforriados, juntando-se, ela e sua família, a uma importante comunidade de negros ali existente.

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Em meio aos seus árduos trabalhos diários de vendedora de frutas, na luta pela subsistência, Deolinda fundou a Sociedade Recreativa Beneficente Esportiva da Escola de Samba Lavapés Pirata Negro, na Liberdade, e de sua direção somente se afastou com a morte, aos 87 anos.

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A iniciativa de Madrinha Eunice (assim chamada em função de suas dezenas de afilhadas e afilhados, já que não podia ter filhos) aconteceu em 1937, um ano após ter assistido ao desfile das escolas de samba cariocas, na Praça 11.

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Portanto, a Lavapés é a mais antiga escola de samba paulistana e vencedora de vários carnavais, até a alta profissionalização das escolas subir o patamar dos investimentos financeiros a alturas inatingíveis pela escola de Madrinha Eunice.

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A recuperação da herança negra na Liberdade aponta para uma necessária e salutar convivência entre a cultura afro, presente indelevelmente na história do bairro, e as culturas orientais, que chegaram depois, mas que tão fortemente o representam, atualmente.

(As fotos são de Sérgio Botêlho, repórter e editor deste site Para Onde Ir.)

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