João Pessoa: templos e conventos na formação da cidade

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O papel das ordens religiosas na criação de João Pessoa

Sérgio Botelho – A história da cidade de João Pessoa não pode ser contada sem que se leve em conta a presença definidora das ordens religiosas católicas. Desde os primeiros tempos da colonização portuguesa, franciscanos, jesuítas, carmelitas, beneditinos e a irmandade da Santa Casa da Misericórdia foram chegando à região com uma tarefa que ia além da evangelização: participar da formação urbana e social da nova cidade.

Eles todos chegaram cedo, ainda no século XVI e início do XVII, trazendo o ideal da simplicidade e da vida comunitária, tendo sido fundamentais na urbanização de João Pessoa. As igrejas, capelas, conventos e mosteiros não surgiram isolados. Ao redor deles, cresceram ruas, praças e centros de convivência. Cada construção religiosa era também um ponto de organização da vida cotidiana, social e cultural.

Pelos franciscanos foi erguido o Convento e a Igreja de São Francisco, hoje um dos maiores símbolos arquitetônicos da cidade. Com os jesuítas, conhecidos pelo trabalho com os indígenas e pela fundação de colégios, surgiu a Igreja de São Gonçalo, na atual Praça João Pessoa. Na sequência do tempo, o Colégio e o Convento.

Os carmelitas contribuíram com a construção do Convento do Carmo,  da Igreja de Nossa Senhora do Carmo e da Igreja de Santa Tereza da Ordem Terceira do Carmo, obras em estilo barroco. Os beneditinos, por sua vez, se estabeleceram com a construção do Mosteiro de São Bento, outro monumento que atravessou os séculos e ainda impressiona pela imponência.

Já a Santa Casa da Misericórdia, mais voltada para obras de caridade e assistência aos pobres e doentes, também ajudou a moldar o espaço urbano e social da cidade, com a criação de hospitais, cemitério e obras diversas de acolhimento.

Assim, a fé ajudou a erguer a cidade – pedra por pedra, com arte, devoção e história. Cada igreja ou convento era um polo de desenvolvimento: ao redor deles surgiam praças, ruas e casas. A arquitetura religiosa, com seus estilos europeus adaptados ao clima tropical, definiu a identidade visual das cidades.

Hoje, o Centro Histórico de João Pessoa, com suas igrejas seculares e largos arborizados, é um testemunho desse passado. Reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), ele nos lembra que por trás de cada pedra das construções que o compõem há histórias de fé, trabalho e sonhos, em uma cidade que nasceu sob a forte influência de quem ao construir templos também investiu em seu futuro.

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