A arte de existir sem concessões, por Albiege Fernandes
Sergio Botelho – Mergulhado em uma atmosfera introspectiva e quase arqueológica da existência, o texto de Albiege Fernandes, publicado neste sábado, 12, no Facebook, e que estamos reproduzindo no Para Onde Ir, convida-nos a refletir sobre as camadas do ser e a temporalidade que nos constitui. Podemos desdobrar suas metáforas em diálogo com temas como memória, autenticidade, finitude e o paradoxo de viver entre passado e presente.
Bia, como é mais carinhosamente conhecida, tece um manifesto silencioso sobre a “arte de existir sem concessões”. Seu texto é um convite a escavar, sem medo, as camadas do tempo e da emoção, encontrando na própria vulnerabilidade a força para seguir sensível — porque, como diria Camus, “no meio do inverno, aprendi por fim que havia em mim um verão invencível”.
Na sequência, o texto de Albiege:
É uma escavação tão profunda que perde-se o lume do dia. No entanto, encontra-se a água mais límpida, ora fria, ora morna, como um carinho sincero. Lá estão também os pergaminhos dos segredos, das poções, dos tratados feitos consigo mesmo e deixados para depois.
E o depois chega suave, devagar como quem avisa antes. Os sinais, os temos todos. Sentimentos opostos, ou convergentes, tanto faz. Sente-se – e isso é o que de fato importa.
A velhice é um estado tão especial quanto a adolescência, desde que se tenha vivido esta última com toda a intensidade e liberdade que apenas lá, encontramos. Tudo fica arquivado e pronto para ser acessado. Creia.
Não experimento as dores reclamadas pelos da minha idade; não temo a vida individual, meu passado não permite isolamento ainda que eu o deseje em alguns momentos. Silêncio?
O burburinho da poesia guardado na estante dos livros preferidos impede que a casa silencie. Cada verso uma imagem: de um beijo, de uma paixão que de tão forte ainda causa tremor; de uma rejeição que rasgou tudo por dentro.
Sentir, é o que de fato, importa. E uma iminente viagem ao solo sagrado da Bahia de Todos os Santos, uma ressurreição dos sentidos.
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