Sérgio Botelho – Por todo o litoral paraibano há recifes. Isso permite passeios, na maré baixa, a vários setores da costa quando esses recifes são descobertos e aparecem as famosas piscininhas.
O fenômeno natural existe com maior aproveitamento turístico em praias de Pitimbu e do Conde, mas também na Penha, no Seixas, em Tambaú, no Bessa, as três últimas, praias João Pessoa.
Porém, é em frente à praia de Camboinha, em Cabedelo, onde dá as caras a mais famosa dessas conformações oceânicas, compondo, além do mais, um belo visual visto de cima.
Estou falando de Areia Vermelha, um dos cartões postais mais divulgados da Paraíba, mundo afora. O banco de areia, junto com os recifes, representa em torno de 2 km de largura por 1 km de comprimento.
Antes de virar curtição em larga escala para o turismo, Areia Vermelha já era muito apreciada pelos paraibanos, tendo comportado um dos gritos de carnaval mais famosos do Litoral, entre as décadas de 1960 e 1970.
Mas foi somente em 28 de agosto de 2000, no governo José Maranhão, que o local se transformou em área legalmente protegida no ambiente costeiro paraibano, com o objetivo de conservar o ecossistema marinho e garantir a biodiversidade.
O instrumento legal que criou o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha foi o Decreto 21.263, posteriormente normatizado por meio de portaria da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema).
O objetivo foi o de “disciplinar a área de forma ecologicamente correta de utilização em prol do turismo”, segundo a própria Sudema, resumindo a ação e suas implicações ambientais e comerciais.
Apesar da pressão turística recorrente, a transformação de Areia Vermelha em Parque Marinho permitiu o estabelecimento de números limites de visitantes, de uma só vez, ao parque.
Sobretudo, deu lastro legal para ordenar um espaço marinho valioso e intensamente usado. O plano de manejo e as portarias posteriores fecharam as providências normativas.
A preocupação de sempre é manter fiscalização de longo prazo, com limites dinâmicos guiados por indicadores ambientais. Assim, a unidade segue protegendo o recife e sustentando a cadeia do turismo de forma responsável.
Enfim, se o parque precisa de regras oficiais, precisa muito de vínculos afetivos locais. Moradores e operadores têm papel vital nesse processo de preservação. Quando isso acontece, o visitante tende a cooperar.
Areia Vermelha é presente, mas também memória e futuro.
Discover more from Parahyba e Suas Histórias
Subscribe to get the latest posts sent to your email.

