EUA em alerta máximo: Moody’s rebaixa nota e expõe crise da dívida

A Moody’s, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, responsável por avaliar a capacidade de países e instituições de pagarem suas dívidas, rebaixou nesta sexta-feira (16/11) a nota de crédito soberano dos Estados Unidos de AAA (a mais alta) para Aa1 (segundo nível da escala). A decisão reflete preocupações com o crescimento insustentável da dívida pública americana, agravado por anos de impasses políticos em Washington e pela falta de medidas concretas para conter déficits fiscais crescentes.

O principal motivo do rebaixamento é o aumento contínuo do endividamento do governo americano, que ultrapassou patamares considerados críticos em comparação a outros países com classificação similar, como Alemanha e Noruega. A Moody’s destacou que, na última década, sucessivas administrações e o Congresso dos EUA adiaram reformas necessárias para equilibrar as contas públicas, como cortes em gastos obrigatórios (previdenciários e de saúde) e aumento de receitas. Como resultado, os déficits federais devem saltar de 6,4% do PIB em 2023 para quase 9% até 2035, pressionados pelo custo crescente dos juros da dívida — hoje um dos maiores componentes do orçamento federal.

O anúncio impactou imediatamente o mercado financeiro: os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subiram para 4,48%, refletindo a percepção de maior risco. Quanto maior a incerteza sobre a capacidade de pagamento, maior a taxa de juros exigida pelos investidores. A situação foi agravada pela rejeição, no mesmo dia, de uma proposta republicana de reforma tributária na Câmara dos Representantes, criticada por ampliar o déficit em até US$ 5,2 trilhões em uma década, segundo o Comitê para um Orçamento Federal Responsável.

Embora os EUA mantenham uma classificação elevada (Aa1) e a Moody’s tenha alterado a perspectiva de “negativa” para “estável” — reconhecendo a solidez da economia e o papel global do dólar —, o rebaixamento é um alerta sobre a trajetória fiscal do país. A agência enfatiza que, sem avanços em reformas plurianuais para conter gastos e elevar receitas, a dívida pública continuará subindo, ameaçando a estabilidade econômica no longo prazo.

O movimento segue rebaixamentos anteriores da Fitch (2023) e da S&P (2011), que também retiraram o “triplo A” dos EUA. A decisão da Moody’s reforça um consenso entre analistas: a polarização política em Washington e a falta de compromisso com o ajuste fiscal estão minando a confiança na capacidade do país de gerir sua dívida. Enquanto isso, os investidores acompanham de perto os custos crescentes do crédito, que podem afetar não apenas o governo, mas também empresas e famílias americanas.

Em resumo, o rebaixamento é mais do que um símbolo: é um sinal de que os EUA, apesar de sua força econômica, não estão imunes aos riscos de uma gestão fiscal negligente. O desafio agora é transformar o alerta em ação — antes que a conta do endividamento se torne insustentável.

 

Agências internacionais

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