Leilão de prédios históricos é criticado por especialistas

Reação a leilão de prédios históricos acabou impedindo que Palácio Capanema, no Rio, permanecesse no rol dos que seriam vendidos

Em audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, especialistas criticaram o leilão do Palácio Capanema, localizado no Rio de Janeiro, e de outros prédios de importância artística e histórica para o País.

Ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a arquiteta Jurema Machado afirmou que a reação por parte dos setores culturais foi o que permitiu que, pelo menos por enquanto, o Palácio Capanema esteja a salvo de ser vendido. No entanto, segundo ela, é preciso atenção para que novas tentativas como essa não voltem a ocorrer contra o patrimônio cultural brasileiro.

O Palácio Gustavo Capanema é uma construção modernista considerada referência mundial em arquitetura dentro e fora do Brasil. O prédio, que sediou o Ministério da Educação, a Biblioteca Nacional, o Iphan e a Fundação Nacional de Artes (Funarte), foi tombado como patrimônio nacional em 1948.

O ex-ministro da Cultura Juca Ferreira lamentou que o prédio, que é citado como exemplo do Modernismo em todo o mundo, tenha sido colocado à venda justamente às vésperas das comemorações dos 200 anos da Independência e dos 100 anos da Semana de Arte Moderna, dois marcos da construção da identidade nacional.

“Exatamente neste momento o governo coloca uma série de prédios e edificações que são considerados patrimônio nacional à venda, como se fossem tijolos e cal e pedra, sem compreender a profundidade do significado da preservação das memórias, das referências e dos traços identitários do País”, afirmou.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que coordenou a audiência desta sexta-feira (3), afirmou que a venda do palácio coloca em risco um dos símbolos da cultura brasileira e, por isso, não pode ser concretizada.

Uso do prédio

Especialista em restauração e conservação de monumentos, a arquiteta Lia Motta afirmou que o Capanema é um entre os 2 mil prédios públicos que foram colocados em leilão pelo governo federal. Ela destacou que, no palácio, funcionaram até 2017 a Biblioteca Nacional, a Funarte e o Iphan, o que totalizava uma visitação de 42 mil pessoas por ano, fora os eventos realizados pela Funarte.

“Temos um relatório fotográfico que vai passar a ter uma função de prova do uso do prédio, porque tem tanta fake news sobre o uso do prédio que é bom a gente ter uma prova: fotos de cada andar, com o uso de cada andar, com o público de cada andar”, declarou.

Lia Motta lembrou que a Biblioteca Nacional ocupava três andares do edifício desde 1945 e recebia visitas diárias de estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro, sendo muitas vezes o primeiro contato dessas crianças com a literatura.

Função social

A vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Daniela Sarmento, defendeu a adoção de uma política nacional para que os imóveis públicos voltem a desempenhar sua função social, podendo inclusive serem destinados a moradias sociais.

Reportagem – Karla Alessandra

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Com informações da Câmara dos Deputados 

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