Covid-19 avança, no Brasil, em meio a inquietante nonsense

Dados de que a Covid-19 avança no Brasil revelam, agora, que os grotões do país estão sendo atingidos com força. Contudo, o efeito não se restringe às profundezas do país. Na verdade, tem caráter reverso, e alvejará as capitais e grandes cidades, mais uma vez.

Segundo especialistas, o bate e volta do crescimento da doença pelo interior tem a ver com a crítica situação da saúde na esmagadora maioria dos municípios brasileiros. Sem atendimento conveniente, os doentes mais graves serão transferidos para centros mais bem aparelhados. O resultado na saúde pública dessas cidades pode, portanto, assumir modo devastador.

De tal forma a situação preocupa que o governador de São Paulo, João Dória, prorrogou a quarentena no estado a partir desta segunda-feira, 29. Se antes eram seis as regiões paulistas na fase vermelha, agora são nove. Em São Paulo capital o nível de alerta emitido pelo governo caiu para o amarelo. No entanto, Covas, o prefeito, decidiu manter Sampa no vermelho, pelos dados que tem.

Novos dados

No Brasil, a Covid-19 não dá trégua. Pelos dados mais recentes da pandemia, no país, estamos seguindo firmes na cola dos EUA na contabilidade da tragédia. Segundo os últimos números apresentados, nesta segunda-feira, 29, pelo Consórcio de Imprensa –  formado para contornar inconsistências nos números do Ministério da Saúde, conforme justifica a mídia reunida na iniciativa -, o Brasil atingiu 1.345.470 casos e 57.659 mortos por coronavírus. No ritmo, chegaremos a 60.000 mortos até quarta-feira próxima.

Críticas ao Brasil

Curioso é que o presidente Trump vem aproveitando comícios para criticar a política de combate à crise sanitária, no Brasil. Na realidade, crítica que pode ser entendida como mera expressão de desapreço ao presidente Bolsonaro. Como quem quer se livrar de uma amizade incômoda em meio a uma campanha pela reeleição, cada vez mais difícil. Desse jeito, aproveita para passar pano em sua própria conduta, nos EUA, considerada responsável pela também péssima situação da pandemia por lá.

Por exemplo: ao contrário do que pregam os especialistas no assunto, Trump rejeita a máscara. Além de ele mesmo não usar, politiza de tal forma a situação que, segundo a CNN, transformou o uso e o não uso do aparato protetor como identificador de quem seja contra ou a favor de sua posição. Tem algo mais desagregador na luta contra o vírus do que isso?

Papel do líder

Não é desprezível o papel desempenhado por um líder na condução de uma campanha dessa magnitude. Aqui no Brasil, mesmo, onde o presidente Bolsonaro tem, desde o início da crise, adotado comportamento bem parecido, há seguidores seus que têm patrocinado situações de confronto por se recusarem a usar máscara, como se a prática denunciasse inimigos do presidente.

Futebol

No entanto, enquanto a crise se desenrola cada vez mais feia no Brasil, os senhores do futebol do Rio de Janeiro resolveram reabrir o campeonato estadual. Assim, praticamente todas as equipes que participam do torneio já realizaram jogos. Grande parte, neste final de semana que passou.

No protocolo, ausência total de público. Há outros itens do mesmo protocolo que atendem requisitos médicos. Mas, nada impede que eles sejam descumpridos. E é exatamente o que tem acontecido, tendo em vista denúncias que estão aparecendo, a partir, inclusive, do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro. E como ficam os contatos físicos entre jogadores no campo? Como controlar isso, que faz parte da própria essência do esporte?

E de nada adiantam os protestos a respeito de aberturas que tais, em meio à crescente onda da Covid-19, no Brasil. Impávidos, os colossais defensores da economia não esmorecem no afã de reabrir tudo, a despeito das mortes. O que expõe o país a possíveis retaliações comerciais externas com o poder de prejudicarem muito significativamente o que mais os propagadores da abertura geral dizem defender: a economia.

(Sérgio Botêlho)

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