Bolsas emitem sinais inequívocos da forte ligação entre economia e vida

No final da tarde desta sexta-feira, 26, a notícia não era boa. A Bolsa de Valores de São Paulo havia fechado em queda significativa de -2.24%. Não tenho um centavo na Bovespa, mas, muita gente aposta no mercado, que, além do mais, é um respeitado indicativo econômico.

Com a queda de ontem, a Bolsa acumulou perdas na semana na casa de -2,8%. Enquanto isso, o dólar terminou o dia em alta de 2,36%, cotado a R$ 5,46. Para uns, os exportadores, bom. A outros, os importadores, ruim. No que diz respeito à economia, desempenho preocupante.

Como a Bolsa vem seguindo ritmo não linear, não se há de estabelecer a queda como tendência. Mas, como se diz, depende. Por exemplo, uma informação complementar relevante se faz necessária: a poderosa e influente Bolsa de Nova York também caiu acima de 2%.

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Causas

Quando esses fenômenos econômicos ocorrem, a gente busca logo saber o ou os motivos. Será um mero acidente de percurso ou uma estrada ruim, a seguir? No caso da última sexta-feira, 26, as explicações dos especialistas em mercado revelam: os investidores na Bovespa passaram o pregão inteiro preocupados com possível 2ª onda de coronavírus nos EUA. Então, deixaram de jogar dinheiro no mercado. Por preocupante coincidência, também foi esse mesmo o motivo que determinou a queda na Bolsa de Nova York.

Não é, portanto, desprezível a causa. Trata-se da maior economia do mundo, ainda, e qualquer tormenta por lá repercute no resto do planeta. Principalmente na economia, a parte mais sensível do ser humano. Isto é, o bolso.

O novo avanço do coronavírus nas terras norte-americanas alcança especialmente os estados que flexibilizaram a quarentena. Atenção, negativistas de plantão! É isso mesmo o que está acontecendo nos states. Por conta de relaxar o isolamento, o vírus retornou com força. E quem sofre, imediatamente, depois da vida humana? Elementar meus caros descrentes na ciência: a economia.

Com efeito, 32 dos 50 estados norte-americanos padecem com o aumento do número de casos da Covid-19, nos últimos dias. Assim, cuidadosos com a economia e com a vida, vários deles estão retomando as políticas de isolamento e de quarentena para seus habitantes. Afinal de contas, o que adianta essa abertura geral se as pessoas estão ou doentes ou com medo da doença ou de luto?!

Aproveitei e fui dar uma volta no noticiário e me deparei com um vídeo maravilhoso e terrível, ao mesmo tempo. As praias da Inglaterra, liberadas pelo governo, completamente lotadas. Porém, segundo as más previsões, compondo um ambiente bastante favorável ao incremento do vírus.

Brasil

Tudo isso não é muito diferente do que vem ocorrendo no Brasil. Logo após as primeiras determinações de relaxamento da quarentena, a população se jogou nas ruas e nas praias. Coincidentemente, o coronavírus vem se apresentando no país com elevada força.

Se de um lado existe a pressão natural por conta da duração do confinamento, do outro a de setores empresariais e da política, do alto de suas sapiências negativistas, a pregar a salvação da economia pela volta ao trabalho.

O mesmo está acontecendo nos EUA. Ontem, o vice-presidente Mike Pence, mesmo diante dos novos recordes de contágio da doença, aproveitou uma conferência de mídia para apregoar o retorno ao trabalho. Sem dó nem piedade da população e da economia.

Também, na Espanha, o relaxamento das medidas de prevenção marcou novo aumento do número de contágios. Porém, na contramão do que prega Mike, para os norte-americanos, quatro comarcas da província de Huesca voltaram atrás nos planos de reabertura. Por dó e piedade da população e da economia.

Alemanha

Na última terça-feira, 23, a Alemanha, um dos mais fortes e emblemáticos expoentes do capitalismo europeu e mundial, anunciou o restabelecimento das práticas de confinamento no oeste do país. Por dó e piedade do seu povo e da economia local.

Segundo especialistas, se não tivesse havido pressa no início da pandemia, e todos os povos tivessem agido como agiu, por exemplo, a Nova Zelândia, o mundo, provavelmente, estaria bem melhor na fita.

O jeito, agora, é apelar para o bom senso das autoridades, aqui e alhures, para que se apiedem da vida em geral, e da economia em particular. Afinal de contas, uma não caminha senão de mãos dadas com a outra.

“Como andam os EUA e a pandemia?”, indagarão os investidores das Bolsas, na próxima segunda-feira, em São Paulo e Nova York. Da resposta, dependerá, certamente, o comportamento que vão ter no pregão subsequente. Só para escancarar, mais uma vez, a profunda ligação existente entre economia e vida.

(Sérgio Botêlho)

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