Como se não bastasse!

Sérgio Botêlho – Não há trégua para notícias ruins na pandemia. A nova é a da possibilidade de boa parte da população vacinada do país ter sido ‘imunizada’ com vacinas fora do prazo de validade. É desse jeito! Lotes inteiros da AstraZeneca teriam sido aplicadas em 1.532 municípios, totalizando 26 mil doses, causando grande desinquietação.

Essa probabilidade é verdadeiramente muito ruim para o esforço geral que está sendo feito para o combate à Covid-19. Significa que, além de o país não estar sendo, a essas alturas da guerra, livradas do mal com a celeridade necessária, parte dos imunizantes não tem eficácia devido à sua não utilização no tempo determinado pela ciência.

Como até os pedalinhos de lagos brazilienses sabem, para a economia do turismo ser retomada – o que vale para toda a economia do país – é preciso haver confiança do consumidor na competição contra o vírus. Juntando a morosidade observada na vacinação com a chance de parte das vacinas usadas estarem fora da validade, quando a economia brasileira será reativada?

Combate à discriminação

Hoje o Brasil promove mais um Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial. A data existe para lembrar a primeira lei brasileira contra o racismo que, neste ano, completa 70 anos. Trata-se da Lei Afonso Arinos, aprovada em 3 de julho de 1951, que tornava contravenção penal a prática de atos resultantes de preconceitos de raça e de cor.

No país, muitas conquistas podem ser anotadas na relação inter-racial, daquela data, até hoje. E, principalmente, na vida das populações afrodescendentes no território brasileiro. Mas, não o suficiente para eliminar índices de desigualdade ainda gritantes seja na relação dos diversos fenótipos com o poder ou com a economia.

Dizia o maior dos cientistas universais, o fabuloso Albert Einstein, que “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Que literalmente significa “opinião ou pensamento acerca de algo ou de alguém, construída a partir de análises sem fundamento, conhecimento nem reflexão”. Existe até movimento supremacista branco, nos EUA, com tentáculos por aqui!

Com efeito, para derrubar o preconceito de cor de pele (no que resultaram as diferenças humanas) não bastou a desmoralização que lhe foi aplicada pela ciência, ao ensinar, após exaustivas pesquisas internacionais, que o conceito de raça, entre os seres humanos, era uma balela usada pelos escravocratas e colonialistas para explicar suas perversidades econômicas e sociais.

Não sem antes – e, até os dias de hoje – milhões de pessoas terem sido (ou continuarem sendo) assassinadas em milhares de genocídios pelo mundo afora, tendo como base a tese pela existência de traços humanos superiores.

Enfim, como coroamento das diversas pesquisas e estudos de caráter rigorosamente científicos, a ciência descobriu que a sequência base (as unidades que compõem a informação genética) no DNA humano é 99,9% idêntica, e todos nos descobrimos como  pertencentes a uma só raça, a humana, a partir do homo sapiens originário da África.

Contudo, o racismo continua sendo uma peça utilizada pelos tolos e mal intencionados, como apelo ao poder de uma raça sobre outras. O que exige, portanto, a união dos racionais no combate à miserável e anacrônica resistência das teses racistas.

“minh`alma recebeu o batismo dos tambores” 

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