Uma corrida ininterrupta

Sérgio Botelho – O processo eleitoral brasileiro pode ser descrito como uma engrenagem que não para de girar. De vera, ele começa no exato momento em que os resultados do pleito anterior são proclamados.

Esse ciclo constante de articulações, alianças e estratégias se intensifica no ano que antecede cada eleição, momento em que as movimentações políticas ganham maior visibilidade e fervor.

Na Paraíba, o fenômeno é particularmente evidente, agora, na corrida pela sucessão do governador João Azevedo, onde tanto situação quanto oposição já dão sinais claros ou velados de suas intenções para a disputa de 2026. Seja num campo ou no outro, as movimentações incomodam.

Na seara governista, qualquer ação administrativa ou política do governo tende a ser interpretada sob a ótica eleitoral, gerando debates sobre possíveis intenções estratégicas para a próxima disputa.

Ao mesmo tempo, na oposição, à medida que possíveis candidaturas se insinuam, aumenta a busca pela consolidação de discursos e alianças que possam desestabilizar a base do governo e atrair o eleitorado, muitas vezes, abalando os próprios alicerces em que estão assentadas as bases oposicionistas.

Esse jogo de forças se intensifica à medida que o pleito se aproxima, e tudo – desde obras públicas até declarações dos comandos políticos – ganha o selo de disputa eleitoral, geralmente, para o mal (desculpem a rima).

O impacto desse cenário sobre a sociedade, por outro lado, é significativo e preocupante. A polarização crescente e a priorização de interesses eleitorais em detrimento de projetos a longo prazo frequentemente resultam em prejuízos para a população.

Decisões que deveriam ser guiadas por critérios técnicos e benefícios coletivos são, muitas vezes, contaminadas por cálculos políticos, retardando ou até mesmo comprometendo o desenvolvimento do estado.

Esse panorama reforça a necessidade de refletirmos sobre os rumos da política brasileira e os mecanismos que podem equilibrar a relação entre governança e disputa eleitoral. Se as eleições são a expressão máxima da democracia, sua antecipação exagerada e a transformação de cada ato público em ferramenta de campanha colocam em xeque o compromisso com o bem-estar social.

Na Paraíba, como no resto do país, a urgência é de que as lideranças políticas coloquem os interesses do povo acima das estratégias de poder, garantindo que o processo eleitoral cumpra sua verdadeira função: promover o progresso e a justiça social.


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