Relíquias do atraso

Sergio colunaSérgio Botelho – O que tem de gente certa de que o conservadorismo é o princípio que deve determinar o mundo, não é brincadeira. É um povo cada vez mais radical, cheio de ódio, e risível não fosse trágico. É uma turba que insiste em não aprender as lições da história que, sem rodeios, ensina que nada é permanente.

Quanto mais a gente se ocupa de pesquisas históricas, de memórias, mais se assegura de que absolutamente ninguém vive para sempre, nenhum poder é eterno, nenhuma estrutura social resiste intacta ao tempo, nenhuma ideia se mantém viva só na base da força ou da repetição.

Contudo, sempre tem aqueles que se acham fora dessa lógica e, infelizmente, conseguem atrapalhar o processo civilizatório. Gente que acredita, com uma arrogância quase cega, que suas ideias são imunes à mudança e que o mundo vai girar pra sempre ao redor das suas verdades.

É o caso, por exemplo, dos defensores do poder da aristocracia, que ainda hoje, em pleno século XXI, acreditam que existem “melhores” por direito de nascimento. Que o mundo deve ser hierarquizado por sobrenome, riqueza ou tradição familiar. É o ranço de uma visão de mundo que já caiu faz tempo, mas que teima em se arrastar.

Junto com eles vêm os conservadores exacerbados, que confundem prudência com medo, cautela com imobilismo. Gente que defende que tudo deve ficar como está — não porque funcione, mas porque mudar ameaça seus privilégios. Usam palavras como “família”, “tradição” e “moral” como mera propaganda, embora sejam os que mais se distanciem desses conceitos.

Esses grupos se comportam como se a realidade fosse uma extensão das suas vontades. Ignoram o tempo, desprezam a diversidade, tratam o progresso humano como ofensa pessoal. E, mais uma vez, esquecem o básico: a história anda. Não pergunta. Não espera. E não perdoa quem tenta pará-la à força.

A história já derrubou reis, impérios, castas e dogmas. Vai continuar derrubando. Porque a única coisa que realmente dura é o movimento. Quem se recusa a enxergar isso, acaba virando exatamente aquilo que mais teme: peça de museu. Relíquia do atraso.

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