Sérgio Botêlho – É boa a notícia dando conta de que a promotoria pública espanhola quer prisão de 4 anos para agressores do jogador brasileiro Vinícius Júnior. Só para lembrar, torcedores do Atlético de Madrid penduraram um boneco representando o jogador em uma ponte, simulando enforcamento. “Sinal inequívoco de desprezo e repúdio à cor da pele da vítima e uma tentativa de minar sua paz de espírito”, argumenta o Ministério Público espanhol, com a mais absoluta razão.
Os crimes de ódio racial, também conhecidos como crimes de ódio étnico ou crimes de preconceito racial, são atos criminosos cometidos contra indivíduos ou grupos específicos com base em sua raça, etnia, cor da pele, nacionalidade ou origem étnica. Esses crimes são motivados pelo preconceito, ódio ou hostilidade em relação à identidade racial ou étnica da vítima e são considerados especialmente graves devido ao impacto que têm na comunidade e na sociedade como um todo.
Tem muito a ver o pensamento racista com a idealização aristocrática. Tanto o racismo quanto o aristocratismo se baseiam na crença de que certos grupos são inerentemente superiores a outros. No racismo, essa superioridade é frequentemente atribuída a características físicas ou culturais, enquanto no aristocratismo, é baseada em linhagem e status social. Ambos os grupos defendem a exclusão de outros segmentos sociais da participação plena na sociedade.
Tanto o racismo quanto o aristocratismo usam ideologias para justificar a desigualdade. O racismo pode usar teorias pseudocientíficas ou estereótipos culturais, enquanto o aristocratismo pode se basear em conceitos como o da “naturalidade” da hierarquia social. Num e noutro caso procuram exibir descendências vinculando-as à tese da superioridade requerida.
Ambos tendem a resistir a mudanças que ameacem seu status quo. Isso pode se manifestar em políticas conservadoras ou reacionárias e na supressão de movimentos sociais que buscam igualdade e justiça. O racismo e o aristocratismo têm impactos profundos e duradouros nas estruturas sociais e econômicas. Eles influenciam quem tem acesso a oportunidades, recursos e poder, moldando assim as sociedades de maneira profunda e muitas vezes prejudicial.
Pessoas de diferentes origens raciais e sociais podem trazer perspectivas únicas e inovadoras, que são cruciais para o crescimento e a inovação em qualquer economia. A exclusão social e racial pode levar à marginalização de amplos segmentos da população. Isso significa que seus potenciais, tanto educacionais quanto profissionais, não são plenamente realizados, resultando em uma perda de contribuições valiosas para a economia.
Para a inibição desses tipos de raciocínio, o governo Lula, por exemplo, tem de insistir na implementação de políticas inclusivas a fim de que desempenhem papel significativo no fomento do desenvolvimento econômico. Essas políticas devem incluir a educação de qualidade acessível a todos, igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, e suporte a negócios pertencentes a minorias.
Ao proporcionar a todos os cidadãos as ferramentas necessárias para o sucesso, cria-se uma sociedade mais equitativa e uma economia mais robusta. Isso porque a diversidade de ideias e habilidades contribui para a inovação e o crescimento. Além disso, ao reduzir as disparidades econômicas e sociais, pode-se diminuir a tensão e o conflito social, criando um ambiente mais estável e propício para o crescimento econômico sustentável.
O caso da Espanha contra Vinícius Júnior, com a reação da promotoria local, se inscreve entre as lições que a gente deve tirar a todo o momento que a sociedade mundial se depara com os danos causados por gente descomprometida com o sucesso humano na Terra. Antes, querem o sucesso exclusivamente para si próprio e para o seu grupo, sem desconfiarem que o sucesso coletivo, no rumo do futuro, é condição indispensável para o sucesso de cada um, inclusive dos tóxicos racistas e aristocratistas. São, na verdade, uns tolos perigosos.
Discover more from Parahyba e Suas Histórias
Subscribe to get the latest posts sent to your email.

