Bica: submissão humana à natureza em instante de sublime lucidez

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Sérgio Botêlho – A cidade de João Pessoa foi muito mimada pela natureza. Há por todas as partes de sua geografia predominantemente urbana exemplos magníficos dos mimos que lhe sobraram após destrutivas ações humanas e temporais ao longo dos séculos.

Muito perto do centro da cidade, um centro que fica muito mais para o rio do que para o mar, tem um desses presentes maravilhosos. Creio que não haja nenhum caso de pessoense que não conheça o monumento ao qual me reporto.

O Parque Arruda Câmara

Falo da famosa Bica. É assim que o povo de João Pessoa conhece o Parque Arruda Câmara, em Tambiá, que faz parte de uma imensa área urbana comumente chamada em toda a sua abrangência como Bairro do Róger. 

O parque é um emocionante e oportuno ato de louvor dos humanos (em raro instante de lucidez) à botânica original que cobria a capital paraibana. Assim, ao lado de árvores plantadas, inclusive plantas ornamentais e curativas, têm árvores remanescentes da Mata Atlântica.

Mas, é preciso historiar um pouco. O nome de Bica não surge assim do acaso. Chamava-se bica, e em muitos lugares é assim conhecida, ainda, qualquer fonte de água natural ou melhorada pelo homem, e que lhe (ao homem) serve de fonte contra a sede, a sujeira e a fome, na composição com alimentos.

Durante tempos imemoriais, antes dos primeiros humanos brancos e pretos chegarem ao território pessoense, já os índios bebiam naquela fonte. E foram eles quem, segundo a lenda, lhe deram o nome de Fonte do Tambiá.

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A lenda

A seguir, o relato da lenda é feito pelo Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada (Ceci). “A origem da Fonte do Tambiá está associada a uma lenda indígena que fala do embate entre duas tribos rivais: os Cariris e os Tabajaras. Conta a lenda que o índio Tambiá, da tribo Cariri, foi ferido durante o combate e feito prisioneiro. Seguindo as tradições da tribo Tabajara, a filha do cacique, Aipré, foi ofertada com “esposa da morte” do guerreiro amortecido. Aipré, no entanto, se apaixonou por Tambiá e, após ocorrido o seu falecimento, chorou durante cinquenta luas. Suas lágrimas formaram um olho d’agua mineral e o local foi nomeado como Fonte do Tambiá que deu origem posteriormente ao bairro do Tambiá”.

Construção

A fonte foi construída em em 02 de março de 1782 para canalizar as águas a serviço da população, conforme registra o Ceci. Em 1889 foi reconstruída, sendo mais uma vez reformada em 1922. E, de lá para cá, as reformas continuaram.

É muita história, portanto, que somente pode ser experienciada com uma visita. E não é difícil, pois se constitui em roteiro traçado por qualquer guia de turismo que se preze, na capital paraibana. Não é só a fonte. É uma parte do meio ambiente primitivo preservado ao seu redor. Incluindo, um razoável zoológico. Portanto, hoje batizada pelo Ibama como Parque Zoobotânico Arruda Câmara.

Verdadeiramente, um reencontro com a natureza e com a história, duas coisas que João Pessoa tem de sobra.

(Sérgio Botêlho)

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