🌆 Crônica da Tarde (Assistência de ouro)

🌆 Crônica da Tarde
Assistência de ouro
Sérgio Botelho – O craque brasileiro Raphinha já havia perdido a bola diante da marcação cerrada de dois defensores paraguaios. De repente, como um raio da silibrina, surge, disposto a tudo, o paraibano Matheus Cunha. Ele recupera a bola, avança até a linha de fundo e, na chamada “caixa das almas”, cruza rasteiro para o indômito Vinícius Júnior, que vence a disputa com um adversário e finaliza cruzado para o gol, fazendo 1 x 0 para o Brasil e classificando a Seleção para a Copa do Mundo de 2026, com uma rodada de antecedência. Um gol com dois heróis claros.
No futebol, a glória costuma ter endereço certo: o artilheiro. É ele quem corre para a torcida, aponta para o céu, recebe o abraço dos companheiros e, no dia seguinte, ganha destaque na manchete do jornal: “Fulano decide!”. Mas, no caso do jogo de ontem, a glória foi somente de Vinícius Júnior? Definitivamente, não. Insofismavelmente, foi o tipo de gol com dois protagonistas evidentes — algo que todo mundo que viu, ou que assistiu ao replay, sabe reconhecer.
Hoje em dia, são muitas as estatísticas levadas em conta na avaliação dos jogadores durante uma partida. As mais famosas são o gol, a assistência e os desarmes. Contudo, desde as transmissões até as análises pós-jogo na mídia, continua sendo intensamente mais glorificado aquele que fez o gol.
No caso da partida entre Brasil e Paraguai, o gol de Vinícius foi obra de especialista: pela leitura da jogada, pelo desassombro na disputa da bola e pela frieza na finalização, tirando-a do alcance do excelente goleiro Gatito.
Mas a gênese da jogada, protagonizada por Matheus Cunha, não foi inferior nos mesmos quesitos — e, sem ela, não teria havido gol. Por isso, acredito que locutores e comentaristas deveriam, nesse caso, enfatizar a existência de dois heróis iguais, inclusive nas reportagens escritas em jornais, sites e redes sociais, sublinhando a origem da jogada. Penso que, dessa forma, a mídia estaria contribuindo para a motivação dos jogadores e valorização do aspecto coletivo que deve marcar o futebol — e todos os esportes de equipe.

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