PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Praça ou parque?

Praça da Independência, com seu obelisco e sua rica flora

Sérgio Botelho – Após mais de 100 anos de inaugurada — o que ocorreu em 7 de setembro de 1922 —, a Praça da Independência continua desafiando um entendimento preciso: afinal, é praça ou parque? Nasceu como praça, segue chamada de praça, mas possui traços inegáveis de parque, especialmente por conta de sua rica botânica, que remete ao bioma regional.

A dúvida certamente deve ter assaltado o paisagista Burle Marx, em uma de suas primeiras visitas a João Pessoa, na metade do século passado, quando propôs a demolição do coreto — uma construção mais típica de praça do que de parque. Sua sugestão não foi aceita, o que pode indicar que as autoridades locais, à época, não queriam romper definitivamente com a ideia de praça para aquele espaço tão belo e simbólico.

A origem da Praça da Independência, projeto do arquiteto de origem italiana, Hermenegildo di Lascio, tem base cívica e conceito tradicional de praça. Foi construída para as comemorações do centenário da Independência do Brasil e equipada com obelisco, bancos e coreto. Além disso, integrava o plano urbano de expansão da cidade em direção ao Leste, rumo ao litoral, incluindo a abertura da Avenida Epitácio Pessoa.

Ao seu redor, como é característico das praças, surgiram prédios de uso público e privado, consolidando sua vocação como espaço urbano típico: uma expressão viva da malha da cidade. Seus 37.819 m² não invalidam essa condição, mas, somados à diversidade vegetal — com cerca de 70 espécies —, conferem-lhe um irresistível ar de parque.

A beleza da Praça da Independência e sua representatividade histórica, no entanto, não são suficientes para afastar um certo ar de pouco uso, na maior parte do tempo. Há receios quanto à segurança, faltam iniciativas culturais permanentes e ainda ocorrem alagamentos em períodos de chuva. Em resumo, seria necessário um envolvimento mais efetivo da cidade com a praça — ou parque — que leva em seu nome o ideal de liberdade.

Talvez, o essencial seja reconhecer o valor simbólico e ambiental desse espaço. Um lugar que merece ser vivido, respeitado e reimaginado — não apenas como paisagem, mas como parte ativa da vida urbana de João Pessoa.


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