Sérgio Botêlho – O fenômeno das notícias falsas não é novo. Ações para difundir boatos em períodos críticos sempre existiram. Totalmente nova é a dimensão correntemente emprestada à prática, pelas redes sociais, tanto em termos de alcance quanto de frequência.
No mundo de hoje, a difusão de mentiras cumpre um objetivo diversionista, desde a seara político-eleitoral até a dos direitos humanos e da saúde pública. Na pandemia, a prática da fake news tomou a proporção de uma tragédia.
Grupos extremistas de direita se organizaram em diversos pontos da Terra, o que implicou também o Brasil, para promover a desmoralização de regras estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde mirando o combate à pandemia.
Na pauta dessa atividade eminente e metodicamente negacionista, destacam-se o esforço pela desmoralização de vacinas e difusão de medicamentos sem comprovação científica, para desespero de médicos e especialistas no mundo inteiro.
A grandeza negativa dessa atitude, representada pelo número de mortes e de prejuízos à saúde individual e coletiva, algum dia ainda será mensurado. O prejuízo à vida de tanta gente, contudo, não poderá ser reparado, a não ser pela punição dos culpados.
Tudo isso sem falar em quadrilhas de criminosos que agem dia e noite para ludibriar a população a fim de roubar-lhe financeiramente. São organizações criminosas que somente se aperfeiçoam em eficácia e abrangência.
No momento, valem os esforços de algumas instituições no sentido de combater a difusão de mentiras, onde, entretanto, é fundamental o papel das empresas que trabalham com redes sociais, a se multiplicarem em quantidade e sofisticação.
Na verdade, sem que essas empresas de redes sociais exerçam um papel de fiscalização e controle diuturno, aspirando a eficiência sobre os divulgadores de fake news, nenhum esforço institucional será capaz de extirpar essa prática medonha.
Na Organização das Nações Unidas (ONU) o problema é enfrentado diariamente visando a organização dos Estados nacionais em um combate unitário, visando maior eficiência. Mas, infelizmente, não conta com apoios entre algumas nações importantes do concerto mundial.
No Brasil, reuniram-se, nesta terça-feira, 05, presidentes (atual e futuro) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas pessoas dos ministros Edson Fachin e Alexandre de Morais, respectivamente, e o líder da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), objetivando a adoção de medidas contra a difusão de fake news no processo eleitoral.
Os responsáveis pelo encontro se esforçaram em declarações ressaltando a magnitude do atual período democrático brasileiro e o quanto a prática da fake news, no processo eleitoral deste ano, pode prejudicar o fortalecimento da democracia em nosso país.
Certamente, vale como esforço a atitude desses dirigentes, e queira a Sorte que consigam reduzir em alguma medida os efeitos da prática criminosa. No entanto, sem a participação efetiva dos três poderes – e, além disso, como já observamos, das empresas responsáveis pelas redes sociais -, toda efetividade pretendida será necessariamente mínima.
Também os meios de comunicação – que, ressalte-se, vêm se aperfeiçoando no combate às notícias falsas, no Brasil e no mundo – jogam papel de extrema relevância na denunciação do crime, bem como na oferta de sites de verificação de matérias com indícios de falsidade.
Convém admitir que mesmo se tratando de um combate desigual e de fortes dúvidas quanto à sua eficácia, alguma coisa precisa ser feita. Afinal, nós, contemporâneos, continuamos a escrever novos capítulos da fantástica história humana, que, inevitavelmente, irão exercer forte influência sobre o futuro de toda a raça.
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