Quando o real incomoda o dólar: entenda a ofensiva americana contra o Pix

PARA ONDE IR – Na terça‑feira, 15, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou a “Investigação da Seção 301 sobre Práticas Comerciais Desleais no Brasil”. Embora o documento não cite o Pix nominalmente, aponta “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo” como possíveis beneficiários de tratamento privilegiado.

O foco das desconfianças remonta a 2020, quando o Banco Central (BC) e o Cade suspenderam, uma semana após o lançamento, a função de pagamentos do WhatsApp Pay — serviço da Meta, de Mark Zuckerberg, aliado político de Donald Trump. À época, as autoridades brasileiras alegaram necessidade de avaliar riscos e assegurar a concorrência no Sistema de Pagamentos Brasileiro.

Para a economista Cristina Helena Mello, da PUC‑SP, a decisão foi acertada: o aplicativo operava fora da integração com o sistema financeiro nacional, escapando à supervisão do BC e às normas de rastreamento de transações monetárias.

Enquanto isso, o Pix — cujo projeto começou em 2018 e foi lançado em 16 de novembro de 2020 — cresceu de forma meteórica. Em 2024, movimentou R$ 26,4 trilhões, segundo o BC, impulsionando a inclusão financeira de milhões de brasileiros e reduzindo custos para pequenos negócios.

O desconforto americano também passa pelo uso cada vez maior do Pix fora do país. Em destinos como Paraguai e Panamá, lojistas já aceitam pagamentos instantâneos de turistas brasileiros, driblando a conversão para dólares. Menor demanda por dólar significa menor força da moeda, avalia a economista.

Há ainda preocupações de grandes emissoras de cartão dos EUA com o “Pix Parcelado”, previsto para estrear em setembro de 2025: o consumidor poderá parcelar compras, enquanto o lojista recebe à vista — um terreno tradicionalmente dominado pelos cartões de crédito.

Apesar das críticas, especialistas defendem que o Pix é ágil, barato e eficiente, além de ter impulsionado a bancarização. “O Brasil criou um meio de pagamento repleto de vantagens: rapidez, segurança e inclusão”, resume Cristina Helena Mello.

Com informações da Agência Brasil.

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