PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Parrá
Sérgio Botelho – Sabe uma pessoa que era bem maior do que aparentemente foi? Pois bem, essa criatura foi Parrá, nascido Severino Ramos de Oliveira, no Bairro do Róger, em João Pessoa. Noctívago indomável, ritmista à altura de Jackson do Pandeiro (a quem transformou em referência, pela vida inteira), compositor criativo e artista de voz admirável e de grande versatilidade no palco, já que exímio dançarino, Parrá viveu, a maior parte do tempo em João Pessoa, entre 1938 e 2019, quando faleceu aos 81 anos de idade.
Depois de ter conseguido emprego nos Correios, por intermédio de sua mãe, lavadeira respeitada, ainda menino de 13 anos, seguiu sendo seu emprego oficial na vida, dividindo-o com a atividade artística, a compor uma existência ricamente atribulada. Sua época de maior brilho foi mesmo as décadas de 1950 e 1960, tendo inicialmente brilhado no auditório da Tabajara, de onde, em seus primeiros anos de roupas emprestadas, saiu um dia correndo depois de ter ficado nu no palco. A calça, bem maior do que ele, acabou caindo em meio à apresentação. Foi um sufoco, e só escapou porque corria muito.
Depois que Jackson do Pandeiro, parou para escutá-lo, e atestou a parecença de voz e ritmo, entre os dois, Parrá nunca mais parou quieto, sem, contudo, se aventurar muito além de João Pessoa, fazendo concessões a Campina Grande, Alagoa Grande, Areia e Bananeiras, onde acabou se casando, além de um bate e volta na Bahia. Tinha um talento enorme para para a ribalta, preferindo, no entanto, uma vida menos glamourosa com os amigos e admiradores sem dinheiro para ingressos. Era doente por gente do povo!
Seu maior parceiro e de boêmia e composições foi Livardo Alves, outro artista pessoense de grande versatilidade, com músicas gravadas por Vital Farias, Zé Ramalho, Flávio José e Cátia de França. Por sua vez, Livardo também gravou Parrá e por ele foi gravado.
Sobre Parrá, o You Tube guarda o documentário “Parrá Becos da Boemia”, do projeto João Pessoas – A Memória da Cidade, capitaneado por Fernando Moura, com preciosos depoimentos de Carlos Aranha, de Joca do Violão, irmão de Parrá, da sua neta, Krislany de Oliveira, de Waltinho do Acordeon, Carlos Anísio, Raimundo Nonato (Bola), Chiquinho Mino e Ricardo Anísio.
Vale a pena assistir. É de graça!
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