
Sérgio Botelho – Manaíra, que já se chamou Maceió, é, hoje, uma das praias mais urbanas de João Pessoa, metida em um bairro de edifícios altos, no seu interior, trânsito movimentado, diversificada gastronomia e intensa vida comercial. Mas seu passado guarda cenas bem diferentes, já que até pouco mais de cem anos atrás, era território de beira-mar quase exclusivo de pescadores. E mais antigamente, dos Potiguaras, por inteira.
(A título de curiosidade, o nome Manaíra, não possui unanimidade em sua versão precisa, a não ser que tem origem indígena. Pode se referir a “Abelha Cheirosa”, a “Mel Cheiroso” ou a “Seios de Mel”, e conduzem a uma lenda dos povos primitivos referentes a uma indígena que foi morta por haver namorado outro que não o jovem a ela destinado por seu pai, executor do castigo mortal, como esposo).
No tempo dos pescadores, a primeira linha de casas após o areal era de construções simples, na base da taipa, da palha de coqueiros ou ambos os materiais. A vida girava em torno da maré, da pesca, da convivência entre famílias vizinhas e da luta contra doenças tropicais, as mais perigosas, dos tipos impaludismo, tifo e malária.
Até as primeiras décadas do século XX, o cenário ainda oferecia sério risco à saúde, quando os pescadores já contavam com a companhia de sítios, fazendas e currais. Mais marcadamente, nos anos 1950 é que surgiam ali os primeiros casarões modernos à beira-mar, sinalizando a chegada de uma classe média alta que já buscava morar perto da praia. O mesmo processo que também foi acontecendo em Tambaú e Cabo Branco, compondo, portanto, os primeiros trechos do litoral pessoense a expressar essa transição, digamos assim, de vila rústica para o bairro urbano.
A expansão da cidade, no litoral, feita de maneira não muito planejada, fez com que a praia de Manaíra mantivesse uma característica singular, expressa na pouca espessura da faixa de areia que lhe restou, tornando-a particularmente sensível às marés, que terminam por encobrir o areal e até avançar sobre a calçada. Hoje, Manaíra reflete esse contraste numa João Pessoa de crescimento muito rápido nas últimas décadas, depois de séculos para a cidade chegar para valer em seu litoral.
A título de conclusão, um registro afetivo se faz necessário. Falo da existência, durante décadas, de um equipamento de lazer chamado Elite Bar, instalado bem na divisa com Tambaú, na esquina das atuais avenidas Rui Carneiro e João Maurício, de frente para uma antiga gameleira, de saudosa memória.
Aberto na década de 1930, o empreendimento virou referência na cidade, atraindo artistas, intelectuais, políticos e banhistas. Tinha balneário nos fundos, boa comida (com destaque para sua cabeça de galo), cerveja gelada e, à noite, boemia e música.
Na década de 1970, no auge dos tempos das discoteques, o Elite investiu numa moderníssima boate, que atraiu e marcou a juventude de então, e inspirou a abertura de outras, inserindo a cidade no que de mais contemporâneo existia na rotina noctívaga do mundo pop ocidental.
O Elite Bar foi um espaço muito carregado de sentido.
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