Sérgio Botelho – O câncer continua matando. Há alguns dias perdemos a indômita artista Preta Gil. Outros continuam morrendo por conta da doença e, com certeza, ela continuará matando.
Os números seguem estarrecedores. Segundo matéria no jornal inglês The Economist, com repercussão no jornal paulista O Estado de São Paulo, o câncer mata 10 milhões de pessoas, por ano, e o número é considerado crescente.
Contudo, a elevação de casos está vinculada ao contínuo crescimento demográfico e aos números referentes ao envelhecimento. Ao aumentar a quantidade de gente viva e de gente velha, a quantidade de vítimas da doença segue junta.
Entretanto, embora não se saiba por quanto tempo ela manterá seu roteiro assassino, há boas notícias rondando sua atividade, a partir do foco na relatividade das mortes referentes.
De acordo com a matéria, excluídos os efeitos do crescimento populacional e do envelhecimento, a taxa de mortalidade por câncer, na verdade, caiu significativamente nos últimos 30 anos.
Naturalmente a queda tem origem clara e insofismável no avanço da ciência e das novas tecnologias. Quanto mais os cientistas aprofundam suas descobertas e apresentem novas armas em seu combate, mais a mortalidade do câncer declina.
Enfrentamento sem tréguas ao tabagismo, uso de exames prospectivos que auxiliam no tratamento precoce da doença, como Papanicolau, mamografia e colonoscopia, afora práticas mais assertivas de atividades físicas são fatores bastante positivos.
Mas também melhores técnicas cirúrgicas e medicamentos mais eficazes, a exemplo de imunizantes gradualmente mais eficientes, porque aplicados cada vez mais cedo, têm influenciado na redução da mortalidade provocada pelo câncer.
O progressivo sucesso da ciência nos faz voltar os olhos ao iluminismo, dos séculos XVII e XVIII, movimento que afastou a humanidade da ignorância, do dogmatismo religioso e da superstição como meios de enfrentar a vida e seus males.
Estou lembrando tudo isso porque, infelizmente, são cada vez mais escancarados e amiúdes os ataques do extremismo político à ciência, exigindo crescente estado de vigilância contra seus efeitos falaciosos.
Creio, firmemente, na necessidade de as descobertas do iluminismo fazerem parte dos currículos escolares, com adaptações naturais às mais diversas séries do ensino regular.
Ao mesmo tempo que vejo a mesma necessidade na multiplicação de sociedades de estudo e difusão dos ideais iluministas, com radical defesa da ciência, da parte dos setores intelectuais comprometidos com o progresso humano.
Assim, estaremos colaborando para que o espaço público não seja tomado pelo negacionismo e pela ignorância, que ameaçam conquistas responsáveis por vir salvando milhões de vidas.
Discover more from Parahyba e Suas Histórias
Subscribe to get the latest posts sent to your email.

