A arquiteta-operária-preservacionista, poeta indispensável, Piedade Farias, no poema “Doidos de Princesa: Fia Coca”, revela uma sensibilidade de fazer chorar.
Os versos possuem uma beleza lírica profunda e uma grandiosa complexidade emocional, ao explorarem a multifacetada condição humana, especialmente no que se refere à alegria e à dor, à sanidade e à loucura.
O poema integra o seu notável livro Cantares de Obras, onde Pié revela, a par de longas viagens e novas geografias, percepções de sua vida de diálogo com o passado e, ao mesmo tempo, com o futuro, como ela define o seu mister. Com espaço para as marcantes figuras humanas que encontrou pelo caminho.
No conjunto, a obra testemunha o trabalho diuturno e incansável que realiza em prol da restauração de monumentos históricos, selado por um olhar que mistura indelevelmente ciência e poesia.
O resultado tem sido maravilhoso!
Doidos de Princesa: Fia Coca
Fia Coca dançava e ria
E no seu rosto de velha
Morava toda a alegria…
(Não era velha nem triste,
Que doido não tem idade
E muito menos tristeza) …
Era dona da beleza
E dona da alegria:
Dançava, cantava e ria…
Passava moço bonito
Que Fica Coca chamava
Menino vinha, insultava
(Desgraça de doido é menino) …
Dentro do mesmo minuto:
Seus olhos viravam raiva
Se danava
Xingava… xingava…
Esquecia
E de novo era alegria
Dançava, cantava e ria…
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