Os gerânios da carne

Sérgio Botelho – Reproduzo, no Para Onde Ir, o poema “Os gerânios da carne” do poeta, crítico literário e membro da Academia Paraibana de Letras, Hildeberto Barbosa Filho, extraído do livro “Ofertório dos bens naturais” (1998) e publicado por ele neste domingo, 16, no Facebook.

“Os gerânios da carne” é um poema que se arrima na natureza para explorar temas existenciais relevantes, sugerindo que a vida humana está intrinsecamente ligada e impacta o mundo natural de maneiras complexas e interdependentes. Dessa forma, que também pode, sem muito esforço, ser traduzido como um chamado à responsabilidade humana em relação ao meio ambiente.

A beleza estética do poema está no uso de imagens expressivas e sonoras que, juntas, criam um belo efeito poético, tanto em forma quanto em conteúdo.

“Os gerânios da carne”
Escreve o teu poema
para que os lagos
irriguem os gerânios da carne
para que as vespas
chovam perfumes nos roçados
para que a lágrima
adube o lábio das espigas
para que as formigas
reescrevam sonatas nos prados
para que as corujas
dedilhem seus pios letais
para que o orvalho
lave de luz os parreirais.
(Hbf. Do livro “Ofertório dos bens naturais“, 1998)

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