Sérgio Botelho – Me dedico nesta Crônica da Tarde, de hoje, a relembrar uma figura paraibana que, enquanto viveu, brilhou muito, apesar de preto existindo numa sociedade miseravelmente escravocrata.
Falo do poeta, orador, político e jornalista Eliseu César, que hoje nomeia uma rua no Centro da cidade, continuidade da rua Barão do Abiahy, entre a Treze de Maio e o Parque Solon de Lucena, e é patrono da Cadeira 14, da Academia Paraibana de Letras.
Sobre seu nascimento, trabalho científico da Universidade Federal da Bahia (AS ARTES E OS OFÍCIOS DE UM LETRADO AFRO-DIASPÓRICO: ELISEU CÉSAR (1871-1923)) se encarrega de desfazer qualquer dúvida, apresentando o teor de seu batistério, datado de 17 de dezembro de 1871 (“5 meses após o nascimento”), da Paróquia de Nossa Senhora das Neves, na cidade da Paraíba.
Polímato, foi grande no Recife, em Belém do Pará e no Rio de Janeiro, onde encerrou sua passagem pela vida, com apenas 51 anos, em pleno vigor intelectual e físico e com o apelido de Rui Barbosa negro.
No Pará, além de forte presença poética (onde escreveu o livro Algas) e jornalística (no prestigiado jornal A Província do Pará), chegou mesmo à cúpula do poder local, tendo sido eleito deputado (e, como tal, líder do governo), desfrutando de elevado prestígio em todos os meios paraenses.
Segundo o velho e memorável jornalista paraibano Ascendino Leite, em artigo intitulado “O pardo Eliseu César”, em A União de 6 de março de 1934, caso fosse ambicioso, o paraibano poderia ter sido até presidente do Estado ou Senador da República, no Pará.
Das terras paraenses, seguiu direto para o Rio de Janeiro, onde sua glória foi às alturas, agora, em plena capital do país, convivendo direta e diuturnamente com as maiores figuras da política e da cultura republicana.
Seu repentino falecimento em 27 de janeiro de 1923, no Rio, repercutiu nos jornais da cidade, tendo o seu sepultamento registrado presença relevante de autoridades e de pessoas da sociedade, de acordo com o trabalho acadêmico da UFBA.
Segundo lembra Ascendino, no já citado artigo, Eliseu César ocupa lugar especial no livro de figuras políticas e literárias brasileiras, Carvalhos e Roseiras, do escritor e acadêmico Humberto de Campos.
Por hoje é só, amanhã tem mais.
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