📜 CRÔNICAS ALEATÓRIAS. A eterna influência do pensamento e da mitologia grega

Sérgio Botelho – É impressionante a influência que o pensamento e a mitologia grega exercem no mundo, até os dias de hoje. Muitas das figuras mitológicas, com origem helênica, viraram arquétipos que referem comportamentos identificados pelas ciências humanas.

Um exemplo marcante disso vem da figura de Narciso, tão exageradamente apaixonado por si mesmo que, ao enxergar sua imagem na água, sob o olhar atento e desafiador da deusa Afrodite, mergulhou em contemplação irresistível, para não voltar mais.

Daí surgiu a figura do narcisista, devidamente catalogado pela psicologia, que trata do indivíduo, sem distinção de gênero, que se acha simplesmente o máximo. Com essa convicção arraigada, despreza olimpicamente o outro, gerando todo tipo de embate.

O problema é que, no convívio humano, seja na política, na vida familiar ou em qualquer contexto social, tal comportamento não se limita a uma questão de vaidade. Ele se espraia e ganha novas formas, muitas vezes dolorosas para todos, já que não há limite ao narcisista quando o objetivo é se expor, de preferência, expondo o outro.

O narcisismo acaba criando um terreno fértil para julgamentos negativos baseados em estereótipos. A dificuldade de reconhecer a alteridade leva à exclusão de grupos ou de pessoas vistas como diferentes. Um problema social gravíssimo.

Não raramente, um indivíduo narcisista, ao sentir-se ameaçado ou contrariado ou simplesmente desejoso de confrontações, pode recorrer à calúnia como forma de manter sua imagem intacta ou destruir a reputação de quem lhe esteja servindo de alvo.

Nesse sentido, muito facilmente, pode se valer da difamação, de informação desabonadora, ainda que sem qualquer fundamento, com o intuito de manchar a imagem alheia. Para o narcisista, rebaixar o outro pode ser apenas uma estratégia para manter uma falsa sensação de superioridade.

Em todos esses casos, o narcisismo aparece como raiz de uma fragilidade interna escondida por meio da arrogância. A necessidade de afirmação e de domínio que prejudicam os outros, tanto em nível psicológico quanto jurídico. Quando não, de esconder seus próprios defeitos.

Esses conceitos todos vêm, em última análise, do pensamento e da mitologia grega. Ao criar o mito de Narciso, e de outros tantos, a exemplo de Édipo, de Medusa, de Sísifo, de Ícaro, de Prometeu, entre vários, os gregos identificaram personalidades humanas que nos acompanham através dos séculos.

Não me canso de revisitar a filosofia e a mitologia grega. O pensamento humano de ontem e de hoje, tem origem ali.

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