O que significa novo normal; o que será o pós-covid-19

O que significa “novo normal”? Ou seja, novo normal, enquanto conceito, de que se trata? Não são poucas as especulações sobre o que será a humanidade pós-covid. Voltará o ser humano a viver o que era normal antes da pandemia, ou se instalará um novo normal pós-pandemia?

Como será o novo normal climático? O que se pode entender como novo normal da economia, por exemplo? Viveremos efetivamente um novo normal? Ou tudo continuará como dantes no Quartel de Abrantes? No teatro e no cinema, como será o novo normal? Novo normal o que é, afinal de contas? E o home office nas relações trabalhistas e empresariais dentro do novo normal?

(Por Sérgio Botêlho)

Agora, vamos por partes. Começando, como se diz, do começo.

A humanidade vive, no momento, uma de suas maiores crises. Difícil encontrar paralelo na história. Mesmo nas duas grandes guerras do Século XX. Inesperadamente, um vírus invadiu a existência diária dos seres humanos matando milhares de pessoas em todos os continentes. E, dessa forma, se transformando numa espécie de guerra das guerras.

Assim, a humanidade passou a viver, de polo a polo, preocupações exatamente iguais.  Isto é: como agir para se proteger da Covid-19? Em Londres, Paris, Amsterdã, Seul, Tóquio, Londres, Washington, Sidney, Pequim, Brasília, enfim, o drama é único para todos. Migrantes reveem sonhos, enquanto as fronteiras se fecham. O isolamento social se impõe e as ruas passam a estar vazias.

Por todos os recantos do mundo, das aldeias às metrópoles, o que se vê é uma gente de máscaras. Semelhantemente, todos procuram se preservar do invisível e letal coronavírus SARS-CoV-2. Por conseguinte, o normal da vida de todo o mundo, literalmente, virou de ponta-cabeça. Não mais abraços, não mais beijos nem carinhos.

Também despareceram os grandes espetáculos de teatro. Da mesma forma, as sessões de cinema. E o futebol? Os estádios estão vazios. As manifestações coletivas simplesmente sumiram. Não mais qualquer coisa que possa formar aglomerações. Afinal é pelo contato entre as pessoas e os objetos que o vírus se propaga mais rapidamente. Tudo isso, enquanto a ciência luta desesperadamente para encontrar a vacina possível para matar o vírus.

Portanto, muito pouca coisa sobreviveu do que era o normal até então vivido pela humanidade. Tudo o que era considerado dentro do normal passou a ser considerado anormal, perigoso, mortal, proibido, inconsequente, extremamente perigoso, dessa maneira. 

Novo normal

Outrossim, a humanidade começa a imaginar como vai ser a vida depois da pandemia. Sim, porque o que o mundo está vivendo é uma pandemia. Ou seja: uma epidemia amplamente disseminada, espalhada por todas as partes da Terra. Mas, que, certamente, não vai durar para sempre. Afinal de contas, já se anuncia testes bem positivos sobre uma vacina capaz de imunizar o ser humano contra o coronavírus SARS-CoV-2

Contudo, diante do pandemônio, do terror, causado pelo tal vírus, será a humanidade louca o suficiente para não mudar o estilo de vida? Vamos permanecer com o mesmo olhar que temos, atualmente, sobre a economia? Seguiremos dentro do mesmo objetivo de hoje, que é o de causar males contínuos e profundos sobre o planeta?

Ademais, quais serão as novas diretrizes para a saúde pública? Países como os Estados Unidos poderão continuar tratando a saúde privada como verdade econômica a ser seguida? A nossa alimentação seguirá considerando a proteína animal como elemento vital insuperável? Ou teremos que investir fortemente em uma mudança de parâmetros sobre as proteínas de que tanto necessitamos?

Estados nacionais e pobreza

De mais a mais, certos estados nacionais poderão continuar insistindo em políticas nacionalistas exacerbadas? Ou, enfim, se imporá uma visão mais globalista da vida entre as nações? As desigualdades sociais seguirão sendo encaradas como normais, e, até, desejadas por certas correntes, ou terão que mudar?

Sabe-se que a saúde pública, no que pese as dificuldades vividas pelos países mais pobres, tem sido fundamental para o enfrentamento da pandemia. No entanto, são as falhas existentes que estão fazendo com que o estrago feito pelo coronavírus seja tão amplo, geral e irrestrito. 

Por outro lado, a pobreza tem sido causa da disseminação mais rápida do vírus nos países mais pobres. Mas também nos países mais ricos. Aliás, a própria origem do mal tem status de pobreza determinado. Isto é, junto a camadas pobres que vivem consumindo, por questão de sobrevivência, animais silvestres e selvagens. Justamente, pela necessidade de proteínas. 

Portanto, impõe-se crescentemente a ideia de que a humanidade deve mudar. Jamais seremos como éramos até agora, afirmam os pensadores. Bem como os mais perspicazes. Podemos não ter mais condições econômicas e físicas de sobreviver a mais uma pandemia como a que a humanidade vive, agora. 

Mas, é bem possível 

O problema é que não estamos, mas, de jeito nenhum, livres de outra pandemia dessa qualidade e extensão. Pelo contrário, segundo os cientistas, outra desgraça como a atual pode tranquilamente voltar a atormentar a vida humana. E pelos mesmos caminhos: a partir da pobreza e se espalhando em cima da ausência de uma saúde pública bem estruturada. Justamente o que se observa, hoje, no plano universal.

Dessa maneira, para a maioria dos que pensam a situação atual, o mundo tem de mudar. Não viveremos mais o normal de antes do coronavírus, dizem os pensadores. O que iremos viver é, necessariamente, um novo normal. Um novo modo como novos meios de vida absolutamente diferentes, necessariamente plurais e universalistas. 

É sobre esse novo modus vivendi, que deve atingir a economia, a política, a saúde, o clima, as artes em geral, as relações entre as pessoas, enfim, que se está dando o nome de NOVO NORMAL

Esse é o grande desafio de governos e pensadores para o próximo período. Mas, que começa, desde já, com a pandemia aterrorizando a vida humana. Sem dó nem piedade, como está acontecendo.

Portanto, pensar esse novo normal se impõe a cada um de nós. Não somente pensar, como, sobretudo, agir para que o pós-pandemia seja concebido e executado como uma nova ordem na humanidade. Uma nova ordem capaz de impedir que outras situações iguais ou piores do que a que estamos vivenciando, venha a se instalar na Terra. Um novo normal capaz  de nos conduzir por outros patamares tanto físicos quanto espirituais, perfeitamente condizentes com o que diz o poeta: “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. E nem de coronavírus, acrescento.

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