Sérgio Botelho – Até o final da década de 1960, a singela e sempre bela praia de Tambaú exibia para satisfação dos pessoenses um imenso areal entre a avenida Nego e o antigo Elite Bar, no final da avenida Ruy Carneiro, região batizada de Baixo Tambaú.
Chamada, então de Praia de Santo Antônio, o referido espaço de beira-mar enchia a paisagem, separando, mais fortemente a partir da década de 1950, a rua por onde os automóveis trafegam e a linha onde as ondas quebram, compondo uma área geralmente muito curtida pela população pessoense. Ali conviviam banhistas, coqueiros, pescadores, jangadas e barcos da icônica e histórica colônia de pescadores da principal e mais famosa praia pessoense.
De construção mesmo só havia as caiçaras, coberturas formadas por estacas e palha de coqueiros erguidas pelos que viviam do mar. Nelas, os profissionais da pesca se defendiam do sol, consertavam as embarcações, descansavam da lida e, não raramente, dormiam em redes quando as saídas e chegadas do alto mar aconteciam pela madrugada.
No entanto, para infortúnio da beleza natural e do bem-estar de pescadores e banhistas, o Estado achou de desbancar o areal, ocupando-o com um prédio circular destinado a um hotel. Segundo os idealizadores acreditavam, a iniciativa finalmente impulsionaria o turismo pessoense.
Como o Brasil atravessava uma época ditatorial, onde o poder da União e dos governos estaduais era praticamente absoluto, as vozes dissonantes da sociedade foram abafadas, e o projeto se impôs até seus recentes desaguisados, à espera de um desfecho.
O resultado é que a praia de Tambaú restou desprovida de parte da sua natureza original, pelo visto, para sempre.
(Imagens da beira-mar de Tambaú antes e depois de construído o hotel, em fotos feitas pela então SUPLAN-Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento da Paraíba)
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