O Museu do Homem do Nordeste (Muhne) promove, de 27 a 30 de outubro, o seminário internacional “Decolonizando Museus: Modos de Fazer”. O encontro, que faz parte da Temporada França-Brasil 2025, reunirá representantes de museus do Brasil, da França (continental e Guadalupe), do Marrocos, Senegal e Benin, em um espaço de diálogo sobre diferentes formas de decolonizar práticas museais no contexto contemporâneo. O Muhne é vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj),
O seminário será realizado na Sala Calouste Gulbenkian, no campus Gilberto Freyre, em Casa Forte, e propõe a reflexão sobre como os museus, ao longo do tempo, têm enfrentado o desafio de lidar com acervos que guardam testemunhos da violência da colonização europeia em diversas partes do mundo.
“A expectativa do Museu do Homem do Nordeste em relação a esse seminário é criar um espaço de compartilhamento de experiências entre museus do Brasil e de outros países sobre suas práticas de decolonização. Ou seja, práticas de enfrentamento da própria história de colecionar, expor e pesquisar acervos relacionados ao ‘outro’, aquele que, historicamente, foi objeto das pesquisas e coleções museais, muitas vezes a partir de relações coloniais ou pós-coloniais, entre países que colecionam e países que são colecionados, entre quem ordena os acervos e quem os produz. Esse é um momento que importa a todas as instituições, sejam de países colonizadores ou colonizados”, destaca o coordenador-geral do Museu, Moacir dos Anjos.
“É preciso que, em suas práticas museais contemporâneas, as instituições considerem essas questões, enfrentem os conflitos e as violências embutidas nesse processo e compreendam que os museus são espaços de disputas. Disputas sobre o poder de narrar modos de vida e sobre o compartilhamento desse poder, para que possam ser construídas histórias mais igualitárias e inclusivas. Histórias em que as práticas museais sejam revisitadas e reelaboradas ao longo do tempo”, completou o coordenador.
O seminário ocorre em um momento importante para o Museu do Homem do Nordeste, que desde 1979 se dedica a construir uma leitura original sobre os modos de vida da região. Com um acervo de mais de 16 mil itens, que inclui objetos relacionados tanto à violência colonial quanto às formas de resistência, o Muhne realiza exposições de longa duração e temporárias.
A última exposição de longa duração foi organizada em 2008 e, desde então, mudanças sociais e culturais no Brasil e no mundo impactaram diretamente as formas de documentar e interpretar as questões que orientam as ações do Museu. Diante desse cenário, o Muhne está em processo de renovação de sua exposição de longa duração, em termos conceituais e expográficos, com previsão de conclusão em 2026.
“Esse seminário integra-se a um projeto mais amplo do Museu do Homem do Nordeste, que é o de reconfigurar e refazer sua exposição de longa duração. É um momento de reflexão do Museu sobre suas práticas, especialmente porque guarda peças relacionadas a rituais religiosos afro-brasileiros e afro-indígenas, além de expressões culturais e artísticas de povos historicamente violentados e colonizados. Trata-se de um acervo rico não apenas materialmente, mas também simbolicamente. Por isso, o Museu passa por um processo de revisão das formas de catalogar e, sobretudo, de expor esse acervo, buscando práticas mais éticas, responsáveis e informadas”, concluiu Moacir dos Anjos.
Entre os participantes confirmados estão gestores, curadores e pesquisadores de instituições como Musée de l’Histoire de l’Immigration (França); Musée du Quai Branly – Jacques Chirac (França); Memorial ACTe (Guadalupe); L’Institut Fondamental d’Afrique Noire (Senegal); Cité-Musée de Ouidah (Benin); Fonds du Patrimoine Mondial Africain (Benin); Museu da Inconfidência (Brasil); Museu Paranaense (Brasil); Museu Indígena Kanindé (Brasil); e do próprio Museu do Homem do Nordeste.
O evento gratuito será bilíngue (português e francês), com tradução simultânea, e contará também com transmissão online, ampliando o alcance do debate para diferentes públicos. Ele será organizado em quatro mesas temáticas.
Serviço:
Decolonizando Museus: Modos de Fazer
27 a 30 de outubro de 2025
Das 9 às 13h
Sala Calouste Gulbenkian – Av. Dezessete de Agosto, 2187, Casa Forte, Recife
Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdFKIFhKNSJ_N9c6ncswwr23haRBDRSPR0HoQ_dm7uNzR7Gaw/viewform
Confira a programação do evento:
27.10 – Modos de Fazer 1
Emmanuel Kasarhérou (Musée du quai Branly – Jacques Chirac, França)
Souayibou Varissou (Organisation du monde islamique pour
l’éducation, les sciences et la culture, Marrocos)
Moacir dos Anjos (Museu do Homem do Nordeste, Brasil)
28.10 – Modos de Fazer 2
Coralie de Souza Vernay (Fondation pour la Mémoire de l’Esclavage, França)
Isabelle Vestris (Memorial ACTe, Guadalupe)
Alexandre de Jesus (Universidade Federal de Pernambuco, Brasil)
29.10 – Modos de Fazer 3
Constance Rivière (Musée de l’Histoire de l’Immigration)
Alex Calheiros (Museu da Inconfidência)
Josieli Spenazzatto (Museu Paranaense)
30.10 – Modos de Fazer 4
Bénédicte Savoy (Technische Universität Berlin, Alemanha)
Malick Ndiaye (L’Institut Fondamental d’Afrique Noire, Senegal)
Marcelo Campos (Museu de Arte do Rio, Brasil)
Categoria
Educação e Pesquisa
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