
Sérgio Botelho – Há um acontecimento em Baía Formosa que até hoje é rememorado na cidade, como uma ação terrível, de extrema crueldade e prepotência e de profunda repercussão no caráter do povo da cidade, no que diz respeito à sua capacidade de resistência.
Corria o ano de 1877 e o pau-brasil já não atraia mais mercadores europeus. Em Baía Formosa, pescadores estabeleceram suas casas. A sobrevivência vinha dos frutos do mar, destacadamente da pesca da albacora. Foram eles que, no correr do tempo, construíram a Capela de Nossa Senhora da Conceição.
Acontece que o latifundiário João de Albuquerque Maranhão Cunhaú, dono de engenho, reivindicava todo território para si, o que incluía a beira-mar onde residiam os pescadores. Na sua opinião, ali deveria ser espaço de lazer para sua família e convidados.
Certo dia, mais precisamente em 10 de agosto de 1877, arregimentou jagunços armados e investiu contra os pescadores com o intuito de expulsá-los de vez do local. O que ele não contava era com a resistência heróica dos moradores.
Sob a liderança do pescador Francisco Magalhães, cerca de 14 bravos se armaram do que puderam, facas, facões e pedaços de pau, e enfrentaram os jagunços. No final da luta havia seis mortos, num episódio que até hoje é conhecido e venerado como o Dia da Resistência, em Baía Formosa.
O latifundiário ainda chegou a ser preso, numa época em que a região de BF pertencia a Canguaretama. Contudo, em julgamento posterior, o agressor foi inocentado, mostrando de que lado a justiça estava. Os moradores seguiram pelo resto de suas vidas chorando seus mortos. Mas não deixaram a terra e o mar.
Além dos escritos de Câmara Cascudo, tem um livro sobre o assunto, da professora e escritora Claudianeide Guerra, intitulado Baía Formosa e a Resistência de Agosto. O IBGE também registra a história em verbete. Além disso, existem trabalhos acadêmicos da UFRN sobre o tema.
Nos últimos anos, a Prefeitura Municipal de Baía Formosa tem promovido homenagens aos pescadores que ofereceram resistência à agressão de João Cunhaú, fortalecendo nas populações mais jovens da cidade o senso de pertencimento à sua própria história.
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