Memorial das Ligas Camponesas, em Sapé: história político-social exposta

O Memorial das Ligas Camponesas, em Sapé, guarda parte da história brasileira, desta feita escrita com sangue de trabalhadores do campo.

Sérgio Botêlho – O Memorial das Ligas Camponesas, em Sapé, guarda parte da história brasileira, desta feita escrita com sangue. Foi um capítulo onde os super-explorados trabalhadores do campo, na região, empreenderam uma luta por salários e organização, para fugir de um regime de semi-escravidão.

Foi uma época, com especial destaque para a década de 1960, onde os camponeses (palavra que ficou amaldiçoada durante o mais recente período ditatorial, no Brasil), em que os trabalhadores, principalmente de Pernambuco e Paraíba, se revoltaram contra a prática do cambão.

Memorial das Ligas Camponesas
Foto: ONG Memorial das Ligas Camponesas

Pelo cambão, os trabalhadores do campo eram obrigados a pagar em serviço braçal, em dias de descanso, pelo pedaço de terra onde moravam e cultivavam algum tipo de agricultura de subsistência, geralmente bastante precária.

De sua parte, os agricultores reivindicavam que o pagamento fosse em forma de foro. Por isso, e pelas relações precaríssimas de trabalho, os camponeses pediam a criação de sindicatos, à maneira como os trabalhadores da cidade já tinham direito.

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A situação gerou a criação de associações de camponeses então apelidadas de ‘ligas’, que se dispunham a lutar pelos interesses dos trabalhadores do campo, no rumo da formação dos sindicatos da categoria.

A cidade de Sapé foi uma das regiões de mais expressividade dessa luta, e que gerou mártires, a exemplo de Pedro Teixeira e Nego Fuba, que foram assassinados a mando dos proprietários de terras.

O museu

Em Sapé, então, existe hoje o Memorial das Ligas Camponesas que funciona na casa onde moraram João Pedro Teixeira e sua esposa Elisabeth Teixeira, a partir de uma ONG com o mesmo nome do museu.

O memorial-museu é uma iniciativa da Comissão Pastoral da Terra-CPT e de de militantes de movimentos sociais populares do campo, professores e estudantes extensionistas vinculados a Universidade Federal da Paraíba e de outros profissionais comprometidos com a causa dos camponeses e a preservação da memória.

O museu fica na comunidade sapeense de Barra de Antas, e tem se transformado em importante local de referência turística em Sapé, dentro da perspectiva tanto do turismo histórico, quanto do social e do cultural.

Desde 2013 que o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep).

Fontes:

Memorial das Ligas Camponesas

http://sitiosdememoria.org/pt/institucion/memorial-das-ligas-camponesas_pt/

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