João Pessoa: há 434 anos

Sérgio Botêlho
O 5 de agosto sempre foi para todos nós, pesssoenses, um dia de fortes sentimentos de amor à cidade, sem que isso nos haja levado à xenofobia, uma vez que entendemos não nos caber hostilizar nenhum nacional ou estrangeiro que deseje habitar nesse maravilhoso torrão que se espraia junto ao ponto mais oriental das Américas.

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A data firmou-se, ainda mais, em todos nós,desde crianças, por conta da mais tradicional de nossas festas, a Das Neves – surgida, há séculos, exatamente para festejá-la -, que tem o condão de modificar a pauta escolar no sentido, sempre, de os professores explicarem o significado do dia.
(Estou falando, claro, de minha época de infância e adolescência, na esperança de que, ainda hoje, mesmo com o declínio da Festa das Neves, a disposição de explicar historicamente a data, provocada, outrora, pela expectativa dos folguedos, persista em nossas escolas).
João Pessoa evoluiu, assim: após o batismo de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves (em 5 de agosto de 1585), vieram os nomes de Felipéia de Nossa Senhora das Neves (de 29 de outubro de 1585 a 25 de dezembro de 1634), Frederica (de 26 de dezembro de 1634 a 31 de janeiro de 1654) e Paraíba do Norte (de 01 de fevereiro de 1654 a 03 de setembro de 1930).
Em 04 de setembro de 1930, sob forte comoção popular, a Assembleia Legislativa da Paraíba trocou o nome de Paraíba do Norte, depois de quase três séculos, pelo de João Pessoa, presidente da província assassinado em 26 de julho daquele ano, cuja morte, por motivos que ainda despertam controvérsias, acabou provocando a Revolução de 1930, no país, que começou liberal e acabou numa terrível ditadura.
O rápido trânsito que acabo de fazer pelos topônimos de João Pessoa é, naturalmente, do conhecimento da ampla maioria de nossa gente e o faço tão somente para que outras gentes que escolheram a capital paraibana para viver, pela sua qualidade de vida, que não os conheçam, ainda, tomem conhecimento da nossa história.
É uma história que pode não ser a mais extraordinária de todas as histórias da Nação, e, não é, mas, é a nossa história, uma história que assinala resistências heroicas e verdadeiras guerras em prol da independência do Brasil, afinal alcançada em 1822.
Neste 05 de agosto de 1919, em que me encontro, ainda, longe da minha terra, embora com o coração e a mente inteiramente voltados às lembranças de toda uma existência, e no amor incondicional à cidade, João Pessoa completa 434 anos cercada de muito carinho da parte de todo o seu povo, nascido ou morador.
Esse cerco de amor a João Pessoa, felizmente, é algo que consegue se sobrepor a toda a atual e lamentável cultura da divisão, bastante extremada da sociedade brasileira, calcada no ódio e na intolerância, que, também, infelizmente, atinge a capital paraibana.
Mesmo assim, as partes, em João Pessoa, em que está cindido o Brasil atual, permanecem unidas no amor à cidade, o que pode ser verificado frente às mais simples provocações, a uns e outros, por quem quer que seja, nesse sentido.
É esperar que esse sentimento de amor a João Pessoa continue sendo a marca nossa gente, natural ou optante, no sentido de um futuro que mantenha o selo do bem viver, da temperança, do amor à natureza, e, sobretudo, do humanismo, que caracteriza a capital paraibana.
Viva os 434 anos de João Pessoa!

 
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