
Estamos falando do período final em que o formato ideológico do poder no Brasil foi cunhado, pelos historiadores, de República Velha, com a predominância, no comando do poder federal, da chamada política do café com leite. Seguindo esse princípio, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, capital do país, se revezavam presidentes vinculados a São Paulo ou a Minas Gerais (o paraibano Epitácio Pessoa, em 1919, subverteu o costume, mas por acordo).
Em 1929, portanto, às vésperas do pleito de 1930, o comando político nacional, com efeito na ampla maioria dos estados, pertencia ao Partido Republicano, incluindo Getúlio Vargas, no Rio Grande do Sul, e João Pessoa, na Paraíba (respectivamente, Partido Republicano do Rio Grande do Sul e Partido Republicano da Paraíba).
Washington Luís, do Partido Republicano Paulista, na Presidência da República, resolveu, sem acordo, contrariar a ordem de preferência a um mineiro, no pleito do ano seguinte, e escolheu o paulista Júlio Prestes, para lhe suceder.
Os governadores, então. chamados oficialmente de presidentes dos estados, Getúlio Vargas (RS), Antônio Carlos (MG) e João Pessoa (PB), rejeitaram a solução federal, romperam, e fundaram então a Aliança Liberal, com Getúlio na cabeça (por cessão do mineiro Antônio Carlos) e João Pessoa, na vice.
Foi aí que surgiram as denominações de perrepistas (adeptos da candidatura do Partido Republicano Paulista), alinhados com Washington Luís, Júlio Prestes e com o conservadorismo, e liberais (que adotaram a Aliança Liberal), em defesa das candidaturas de Getúlio e João Pessoa, e de bandeiras mudancistas como voto universal, incluindo o feminino.
Em março de 1930, após apuradas as urnas, em meio a um pleito com sérios vícios à mostra, como costumeiro na República Velha – sob a batuta dos coronéis e do famoso voto de cabresto, além da possibilidade de revisão de listas vitoriosas -, Júlio Prestes venceu.
O desfecho é bastante conhecido: a Aliança Liberal questionou o resultado, com amplos apoios no seio da população (a maioria não apta a votar, por se constituir de menores de 21 anos, mulheres, analfabetos, mendigos, soldados rasos, indígenas ou integrantes do clero) e das Forças Armadas, embora sem grandes possibilidades de ter a tese de fraude reconhecida.
A morte do presidente João Pessoa, o vice de Getúlio, em Recife, acabou incendiando o clima político nacional, já pesado, resultando no que se denomina de Revolução de 1930 (embora, para alguns historiadores, um golpe), mudando radicalmente o rumo da política brasileira e paraibana.
Uma outra história.
