PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Juarez Távora e a Paraíba (pré-Revolução de 1930)

José Américo de Almeida e Juarez Távora

Sérgio Botelho – No post anterior, falamos, de passagem, sobre a renomeação da Rua 7 de Setembro e Monsenhor Walfredo, seguindo até a Torrelândia, para Juarez Távora (depois, as duas primeiras retomaram as denominações anteriores). Entre as justificativas apresentadas por José Américo e Antenor Navarro (que assinaram a mudança em nome do Governo Revolucionário da Paraíba), destacava-se o fato de Juarez Távora ter permanecido escondido em uma casa daquela rua durante sua estadia na Paraíba, que foi mais longa do que se possa imaginar.

PARAHYBA DO NORTE. Juarez Távora e a Paraíba (a ex-Vila de Água Doce) – PARA ONDE IR

É que durante as articulações que antecederam a Revolução de 1930, Juarez Távora teve uma ordem de prisão expedida enquanto estava em missão rebelde no Rio de Janeiro. Preso, entretanto, conseguiu escapar. Segundo o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getúlio Vargas, na fuga “seguiu para a Paraíba e refugiou-se na residência dos tenentes Juraci Magalhães e Jurandir Mamede, que serviam no 22º Batalhão de Caçadores, na praia de Tambaú, onde iniciou as ligações com os tenentes revolucionários que serviam no 22º BC”.

Ainda de acordo com o Cpdoc, “de Tambaú viajou até Fortaleza para estabelecer contatos com oficiais do 23º BC e do Colégio Militar, regressando em seguida à Paraíba”. A FGV relata que Juarez era favorável a que, iniciado o levante, se formasse um governo geral do Norte, tendo João Pessoa, então presidente do Estado, na chefia, pois acreditava que a luta seria longa e a resistência da Bahia acabaria por separar os revoltosos do Norte e Nordeste das forças do Sul.

Juarez Távora ainda se encontrava na capital paraibana quando o presidente do Estado, João Pessoa, foi assassinado em Recife, no dia 26 de julho de 1930, fato que acelerou os acontecimentos revolucionários. Na ocasião, vivia escondido na casa de um dos irmãos de Antenor Navarro, justamente na Rua 7 de Setembro, também conhecida como Avenida Tambiá, que posteriormente recebeu seu nome. Do porão onde se encontrava, acompanhou todo o drama provocado pela notícia do assassinato, com a população enfurecida nas ruas, incendiando casas de perrepistas.

Meses depois, agora, na tomada do 22º BC, em João Pessoa, que ocorreu aos 30 minutos do dia 4 de outubro de 1930, Juarez Távora estava em Recife, vindo da capital paraibana, coordenando ações militares. Retornando à Paraíba, tomou conhecimento do êxito alcançado pelos revoltosos do 22º BC, comandados pelos tenentes Juraci Magalhães, Jurandir Mamede, Agildo Barata e Paulo Cordeiro, além da Polícia Militar da Paraíba, sob o comando do coronel Elísio Sobreira, conforme relata o Cpdoc da FGV. A partir de João Pessoa, Juarez Távora coordenou várias ações pós-Revolução de 1930, incluindo posses de interventores em estados vizinhos.

Todo esse envolvimento de Juarez Távora com a Paraíba não apenas fortaleceu sua ligação pessoal com o estado, mas também acabou vinculando-o à história política local, naquele período. Sua participação ativa nos acontecimentos que antecederam a Revolução de 1930 e o apoio aos líderes paraibanos contribuíram para que a Paraíba se tornasse um dos principais palcos da mudança política no Brasil naquele período.


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