PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. De onde vêm os termos perrepistas e liberais, tão célebres na Paraíba

Sérgio Botelho – Desafiando a história real, que não reserva mais qualquer relevância à velha disputa nominal entre perrepistas e liberais, na política paraibana, há ecos persistentes dessa vetusta briga, perto de completar 100 anos, quando, na Paraíba, os dois grupos se enfrentaram alimentados por um ódio mortal, um do outro.

Estamos falando do período final em que o formato ideológico do poder no Brasil foi cunhado, pelos historiadores, de República Velha, com a predominância, no comando do poder federal, da chamada política do café com leite. Seguindo esse princípio, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, capital do país, se revezavam presidentes vinculados a São Paulo ou a Minas Gerais (o paraibano Epitácio Pessoa, em 1919, subverteu o costume, mas por acordo).

Em 1929, portanto, às vésperas do pleito de 1930, o comando político nacional, com efeito na ampla maioria dos estados, pertencia ao Partido Republicano, incluindo Getúlio Vargas, no Rio Grande do Sul, e João Pessoa, na Paraíba (respectivamente, Partido Republicano do Rio Grande do Sul e Partido Republicano da Paraíba).

Washington Luís, do Partido Republicano Paulista, na Presidência da República, resolveu, sem acordo, contrariar a ordem de preferência a um mineiro, no pleito do ano seguinte, e escolheu o paulista Júlio Prestes, para lhe suceder.

Os governadores, então. chamados oficialmente de presidentes dos estados, Getúlio Vargas (RS), Antônio Carlos (MG) e João Pessoa (PB), rejeitaram a solução federal, romperam, e fundaram então a Aliança Liberal, com Getúlio na cabeça (por cessão do mineiro Antônio Carlos) e João Pessoa, na vice.

Foi aí que surgiram as denominações de perrepistas (adeptos da candidatura do Partido Republicano Paulista), alinhados com Washington Luís, Júlio Prestes e com o conservadorismo, e liberais (que adotaram a Aliança Liberal), em defesa das candidaturas de Getúlio e João Pessoa, e de bandeiras mudancistas como voto universal, incluindo o feminino.

Em março de 1930, após apuradas as urnas, em meio a um pleito com sérios vícios à mostra, como costumeiro na República Velha – sob a batuta dos coronéis e do famoso voto de cabresto, além da possibilidade de revisão de listas vitoriosas -, Júlio Prestes venceu.

O desfecho é bastante conhecido: a Aliança Liberal questionou o resultado, com amplos apoios no seio da população (a maioria não apta a votar, por se constituir de menores de 21 anos, mulheres, analfabetos, mendigos, soldados rasos, indígenas ou integrantes do clero) e das Forças Armadas, embora sem grandes possibilidades de ter a tese de fraude reconhecida.

A morte do presidente João Pessoa, o vice de Getúlio, em Recife, acabou incendiando o clima político nacional, já pesado, resultando no que se denomina de Revolução de 1930 (embora, para alguns historiadores, um golpe), mudando radicalmente o rumo da política brasileira e paraibana.

Uma outra história.

 

 


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