Ex-presidente Café Filho chegou a morar em João Pessoa

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Ex-presidente Café Filho chegou a morar em João Pessoa

Sérgio Botelho – Não foi só Floriano Peixoto quem, entre os presidentes do Brasil, chegou a residir na cidade da Parahyba (atual João Pessoa), antes de ser elevado à condição de supremo mandatário do país. O norte-rio-grandense João Café Filho também fixou endereço na capital paraibana, em 1930.

Em missão na cidade, é sabido que Floriano, um dos pais da República, morou na Avenida General Osório, quando então se fez amigo do professor Antônio Alfredo da Gama e Melo, deputado provincial e várias vezes vice e presidente da Província, durante o Império, e que quase chegou a assumir o ministério da Justiça, na República, pela força de Floriano.

Café Filho tomou posse na chefia do governo federal em agosto de 1954, permanecendo no cargo até novembro de 1955. Na verdade, ele havia sido eleito vice-presidente, no pleito de 1950, como membro da chapa de Getúlio Vargas, vindo a assumir a titularidade após o suicídio do titular.

Durante o seu governo, destaques para a inauguração da Usina de Paulo Afonso e para a abertura do Brasil à entrada de capital estrangeiro, além da conclusão do processo de localização física da nova capital federal, no Planalto Central.

Em janeiro de 1930, Café Filho participou de um ruidoso comício em favor da chapa da Aliança Liberal (Getúlio Vargas-João Pessoa), ocorrido no Ponto de Cem Reis, quando João Pessoa se encontrava em outro comício, no Recife. Encerrou seu discurso radicalizando: “No dia em que passar a nossa tolerância, não haverá lugar para os perrepistas. (…) Perrepista da Paraíba, salva a vida, já que perdeste a honra no ‘guichet’ do Banco do Brasil”. Os perrepistas paraibanos, que apoiavam a chapa de Júlio Prestes, também defendida pelo então presidente Washington Luiz, estavam retornando de uma viagem ao Sul.

No mesmo dia do comício, 28 de janeiro de 1930, Café Filho anunciava residência na Praça Conselheiro Henriques (atual Praça Dom Adauto, mas também conhecida como Praça do Bispo), número 15, em matéria circulada no jornal A União.

Aproveitou para dizer que “aceitava o patrocínio de causas criminais no foro da Capital e de qualquer comarca do interior”. Também se pôs à disposição para se encarregar da liquidação de contas em processos do Montepio no Tesouro Nacional ou qualquer ministério da República, no Distrito Federal.

A curiosidade é que a eleição presidencial daquele ano, envolvendo as chapas Getúlio-João Pessoa e Júlio Prestes-Vital Soares, foi realizada em 1 de março daquele ano. Segundo o anúncio publicado por Café Filho, ele deveria residir na Paraíba até abril. Terá ele votado no pleito, já que era eleitor no Rio Grande do Norte? Agora, com certeza, não participou da reta final da acirradíssima campanha.

Vitoriosa a Revolução de 1930, com a posse de Getúlio Vargas, e já de volta ao seu estado, Café Filho disputou a indicação como interventor do Rio Grande do Norte, mas não logrou êxito. Porém, foi eleito sucessivas vezes como deputado federal, se colocando contrário ao golpe de 1937, quando, por isso, amargou o exílio durante a ditadura do Estado Novo.

Seu nome não era do agrado de Getúlio Vargas nem de setores militares, que o consideravam como de tendências esquerdistas, mas foi imposto pelo líder paulista, Ademar de Barros, como vice da chapa que acabou vitoriosa na eleição de 1950. E acabou presidente da República.


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