Com o título “Uma didática ironia do destino?!”, publicamos, em 16 de julho de 2023, no Facebook a seguinte resenha memorialista sobre o Mercado Central de João Pessoa.
Com alguma frequência, desde que voltamos a João Pessoa, retomamos o costume de fazer feira no Mercado Central. E, quando a disposição não nos abandona, na Feira de Oitizeiro.
Nas décadas de 1980 e 1990 fazíamos isso com bem mais regularidade. Não apenas os preços mais baixos e a maior variedade de mercadorias, mas também, e muito fortemente, porque é nessas feiras livres aonde de forma mais disponível se manifesta o espírito da cidade – por meio de seus falares e seus comportamentos mais significantes -, com o qual devemos estar sempre em dia, para não nos perdermos de nossa essência.
Nesse sentido, há outras feiras livres importantes em João Pessoa, a exemplo da que funciona no Bairro dos Estados e na de Jaguaribe. Confesso que não sei a quantas anda a feirinha da Primavera, próxima da antiga Estação Rodoviária, na parte geograficamente baixa da cidade.
Pois bem, fizemos isso, neste sábado 15. Dessa feita, cumprindo um trajeto que, pelo sempre belo e histórico boulevard da avenida João Machado, nos fez passar em frente ao antigo Bompreço, cuja inauguração, diziam inúmeras línguas desconfiadas, na primeira metade da década de 1970, teria sido, então, responsável pela decisão da prefeitura em proclamar a inativação do Mercado Central.
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Não que a principal feira livre de João Pessoa esteja às mil maravilhas. Contrariamente ao desejável, em seu interior reina um certo e lamentável caos, em meio a edificações arruinadas. No entanto, alicerçado nas tradições populares e em sua força urbana histórica, o Mercado Central, inaugurado em 1948, continua lá, funcionando – apesar do decreto de sua inativação, um dia, e de um visível abandono, hoje – enquanto o plausível algoz, o Bompreço, simplesmente fechou.
Não é uma didática ironia do destino?!
Comentários.
Dos amigos do Facebook o texto recebeu os seguintes comentários:
De Ramalho Leite: O prefeito Dorgival T Neto nunca quis desativar o Mercado Central, mas apenas restaurar seu traçado original e eliminar os puxadinhos, além de encerrar a exploração dos pequenos comerciantes por “donos” de áreas que cobravam aluguel extorsivo. Para que nascesse o primeiro supermercado da cidade, que fechou agora, a PM desapropriou algumas casas para evitar a especulação imobiliária. Quem pagou, porém, o valor dos imóveis desapropriados foi o próprio Bom Preço que, não sei se à época tinha esse nome. A exploração política alimentou esses comentários levianos.
De Tânia Brito: Gostava de ir com minha mãe, ainda menina, esperava pacientemente o momento de passar pelo setor das panelas de barro e comprar minhas panelinhas para brincar de cozinhar no quintal de casa. Lembranças que nunca me deixaram! Quando jovem, já casada, ia fazer minhas compras na feira de Jaguaribe.
De Edson Werber: Abraço Cabo. Também compro lá.
De Marcos Da Paz Figueiredo: Todo sábado estou no Mercado Central.
De Josenildo J da Silva: Excelente texto!!!!
De Almir Nóbrega: Camarada Sergio Botelho você me faz relembrar os velhos idos do final dos anos 50 e início dos anos 60, tempos em que íamos fazer a feira com nossos pais no mercado central. Morávamos no Cordão Encarnado e levávamos nosso carrinho de madeira para transportar as mercadorias. As madames utilizavam os serviços dos balaieiros(?). Também fomos vendedores mirins de sacos de papel.
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