
Sérgio Botelho – Na sessão solene de janeiro de 1913, no Teatro Santa Roza, para criação da Universidade Popular (sobre a qual falamos semana passada), havia duas mulheres convidadas: Catharina Moura e Ângela Moreira Lima. Na ocasião, ficou decidido que os intelectuais presentes se encarregariam de uma série de conferências abordando temáticas acadêmicas diversas.
Na data que lhe coube, a doutora Catharina defendeu corajosa tese (embora precavida), sobre os Direitos da Mulher, publicada, na íntegra, por A União. Doutora, porque um ano antes, Catharina já virara motivo de muita admiração por ter sido a única mulher formada em Direito na vetusta Faculdade de Direito do Recife (na foto), com nota final na categoria da Distinção, e consequente passeio pago na Europa.
Catharina Moura (1882-1955) casou-se com o suíço Alfredo Eduardo Amstein (1887-1948), que também ensinou no Lyceu Paraibano, filho do cônsul da Suíça, em Recife. Da união, houve três filhos, sendo duas mulheres e um homem (que faleceu ainda muito novo), segundo registra sua biografia publicada pela Academia Parnaibana de Letras. Em Parnaíba, onde teria vivido entre 1922 e 1927 (época em que já era casado com Catharina), Amstein se destacou na docência, tendo participado, naquela cidade piauiense, da criação do Ginásio Parnaibano e da Escola Normal, sendo, inclusive, nome de rua, no Centro da cidade.
(Importa saber que o sobrenome Moura vem de Francisca Moura, a professora, sua mãe, que empresta o nome a uma rua que liga a Maximiano de Figueiredo ao Mercado Central de João Pessoa).
Dali em diante, Catharina militou na Associação Paraibana para o Progresso Feminino, filiada à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, dirigida pela pioneira Bertha Lutz, e ensinou na Escola Normal, e escreveu para jornais. Tudo isso a transformou numa influente figura feminina da história pessoense, do ponto de vista do pensamento e da ação.
O resgate da pioneira paraibana pelos direitos da mulher foi feito, entre nós, no livro “Catharina Moura e o Feminismo na Parahyba do Norte”, escrito por Charliton Machado, Lúcia Nunes e Márcia Mendes, afora alguns outros trabalhos acadêmicos de importância.
Porém, muita coisa pode ser encontrada na coleção de A União, um fantástico jornal paraibano que insiste em seguir adiante, para gáudio intelectual do nosso estado.
Em sua homenagem, não há nenhum logradouro público ou escola, em João Pessoa.
(Na foto, a vetusta Faculdade de Direito do Recife, onde se formou, Catharina Moura, como única mulher de uma turma de 48 graduados).
Discover more from Parahyba e Suas Histórias
Subscribe to get the latest posts sent to your email.

