Luiza apenas quer atender ao mercado, ao capitalismo, seus tolos!

Sérgio Botêlho – A ação do Magazine Luiza em busca de trainees pretos chocou os tolos. Especialmente aqueles que vivem falando de liberalismo econômico sem saber o que estão dizendo. Muitos com a cabeça funcionando, ainda, em velhas ondas do aristocratismo, do supremacismo e de outras besteiras semelhantes. Acorda, pessoal, esse mundo desapareceu diante de uma realidade bem mais plural!
A ação da riquíssima Luiza Trajano tem a ver apenas com capitalismo, mercado, venda, e nada mais. A onda é outra. O Magalu só quer continuar vendendo muito, entendendo que faz isso porque chegou à óbvia conclusão de que o Brasil é um país extremamente diverso, composto de uma significativa maioria de pretos e pardos (56% segundo o IBGE).

Sonhando com o passado

O problema é que os reclamantes desejam reviver um Brasil onde a descendência comandava, sozinha, o status social e econômico. E que, por isso, essa elite havia de determinar, isolada e segundo a sua própria visão de beleza, bem-estar e elegância, o que todos, brancos, pretos, pardos, índios, amarelos, héteros e homossexuais haviam de consumir. Com apenas 16% de pretos em cargos executivos o Magazine Luiza é quem mais vende. E quer vender mais ainda. Portanto, é preciso haver mais pretos no comando dos negócios.
E tem mais. A iniciativa de contratar pretos a granel para atividades executivas não vai se restringir às lojas de Luíza Trajano. Muitas outras, invejosas do sucesso da mulher mais rica do Brasil querem trilhar o mesmo caminho. Luíza chegou à conclusão de que quem tem o melhor entendimento sobre o que a maioria do povo brasileiro deseja consumir são os que pertencem a essa maioria. Então, têm de ser maioria no comando das lojas. Elementar!

Pluralidade

Para o sucesso dos seus negócios, o Magazine Luiza entendeu que a pluralidade obrigatoriamente deve ser observada, e respeitada. Senão, o negócio não anda. Pretos, brancos, pardos, héteros, homos e outras pluralidades sociais, antes de qualquer coisa, são consumidores. Para consumir, têm seus próprios gostos e preferências que, se não forem atendidos, eles simplesmente não compram. Então, o negócio não anda.
Por outro lado, o liberalismo econômico, onde não deve caber, mas, de jeito nenhum, qualquer tipo de preconceito, tem, pela sua própria definição, preferência pelo respeito à diversidade, não apenas quando essa diversidade está do outro lado do balcão ou na tela do celular, mas também quando inteligências se revelam e, por isso, têm de ser aproveitadas. Então, independente de cor ou orientação sexual, essas inteligências devem ser cooptadas aos cargos de direção.

Inclusão

Se há poucos pretos ou brancos pobres ou amarelos segregados ou pessoas homossexuais fora das escolas convém arrumar um jeito de trazê-las para o sistema escolar. A economia precisa de checar todas as cabeças pensantes, e revela-las. Assim como reduzir ao máximo as desigualdades sociais. Aí, é onde cabe ao Estado agir. Aliás, o Fundo Monetário Internacional (FMI), que nada, mas, nada mesmo, tem de socialista, vem pregando forte pelo fim das desigualdades.
Sabe porque tudo isso? Para começo de conversa, não se trata de atitude benemérita, está claro. Apenas atende a uma necessidade do mercado. A indústria, o comércio e o campo necessitam de pessoas com poder de compra, o que o pobre infelizmente não tem.
É a mesma lógica que fez com que, em tempos pretéritos, os ingleses, iniciados na revolução industrial e na construção do capitalismo, agiram tão fortemente para acabar com a escravidão. Nem de longe passava pela cabeça dos anglo-saxões ideias humanistas. Basta ver o que faziam com seus operários e com os povos das nações colonizadas por eles. O problema é que o escravo não tinha salário e, portanto, não tinha dinheiro para comprar o que a indústria inglesa fabricava. A tragédia era essa.

Ignorância

Nas reações postadas nas redes sociais, à decisão do Magalu, percebe-se, portanto, o mais rasteiro desconhecimento da realidade social e econômica do país e do mundo. Os críticos à atitude de Luiza Trajano agem puramente movidos por um racismo besta, inconsequente, ideologicamente retrógrado e incapaz de mover o mundo para a frente.
A segregação não interessa ao mercado, assim como, por si sós, descendências familiares. O que interessa ao mercado é fazer o dinheiro circular. E quanto mais gente em condições de comprar, e capacidade de vender, melhor.
Para finalizar, a título de ilustração, cabe transcrever a reação de Luíza Trajano ao nonsense das críticas à atitude de sua empresa: “Não se trata de caridade. Somos um empresa, não uma ONG.” Dá para entender ou querem que desenhe?!

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