Greve geral pelo clima mobiliza o mundo nesta sexta-feira, 20

Sérgio Botêlho

Num quadro político-institucional, em escala global, de significativa hostilidade às preocupações com o meio-ambiente, líderes ambientalistas preparam manifestações pelo clima para esta sexta-feira, 20, denominada Greve Geral pelo Clima.

Sérgio Botêlho

Num quadro político-institucional, em escala global, de significativa hostilidade às preocupações com o meio-ambiente, líderes ambientalistas preparam manifestações pelo clima para esta sexta-feira, 20, denominada Greve Geral pelo Clima.

No Brasil, também estão previstas mobilizações, em diversas cidades, nas quais a defesa da preservação da Amazônia será a bandeira maior diante de um quadro de paulatina destruição do bioma (por sinal, nem tão paulatina, assim, a julgar pelos últimos meses).

As manifestações projetadas para esta sexta-feira devem ser grandiosas, em várias partes do mundo, e podem continuar crescendo caso as autoridades infensas às preocupações com o clima se mantenham contrárias à admissão dos perigos enfrentados pelo aquecimento global.

O primeiro efeito prático das mobilizações deve ser na política, uma vez que, em diversos países, os Verdes estão ganhando espaço e atormentando políticos tradicionais, que começam a revelar preocupação com o receio da perda de poder.

Na mais recente eleição para o Parlamento da União Europeia, por exemplo, foi considerado importante o crescimento dos Verdes, que pularam de 50 para 67 assentos, revelando prestígio dos movimentos ambientalistas, no continente.

Enquanto isso, as reações naturais do planeta seguem provocando tragédias, em um ritual implacável, como resultado direto do aquecimento global desprezado por forças anticientíficas espalhadas pelo mundo afora.

A comemorar, o fato de que em escala mundial há uma juventude que vem se constituindo em componente importante na defesa do meio ambiente, o que já se traduz em lideranças reconhecidas para além dos seus próprios países de origem, como é o caso da sueca Greta Thunberg.

O envolvimento da juventude, na verdade, tem tudo a ver com a obrigação que crianças e adolescentes sentem em se armar de bandeiras ambientalistas, uma vez que serão eles, num futuro próximo, os mais atingidos pela irresponsabilidade com o clima que se apodera de importantes autoridades internacionais, no momento.

Na próxima segunda-feira, 23, acontece em Nova York, nos Estados Unidos, a Cúpula de Ação Climática programada pela Organização das Nações Unidas-ONU; e entre a segunda, 23, e o domingo, 29, a Semana do Clima, também em Nova York.

São reuniões preparatórias para a Conferência das Partes (COP), órgão supremo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que acontecerá no Chile, entre 11 e 22 de novembro próximo.

Aliás, é a ONU quem adverte: “se até 2030 a Terra aquecer mais de 1,5°C em comparação com a temperatura do final do século XIX, enfrentaremos graves problemas ambientais com consequências nefastas para a vida: mais inundações, ondas de calor mais extremas e secas mais frequentes e duradouras”.

É lamentável que a organização tenha sido obrigada a cortar o discurso que deveria ser feito pelo Brasil, na Cúpula de Ação Climática, na próxima segunda-feira, por conta da falta de projetos claros para o meio ambiente, da parte do nosso país, o que nos coloca em situação cada vez mais à margem de atenções mundiais em favor da preservação do planeta.

Para reduzir danos com relação à falha é que movimentos ambientalistas brasileiros estão apostando em massiva participação de pessoas na Greve Geral pelo Clima, desta sexta-feira, 20, no país.Afinal de contas, segundo pesquisa Datafolha de julho deste ano, para 89% dos brasileiros, o planeta está se aquecendo, e 72% concordam que as atividades humanas contribuem muito para o fenômeno.

Quer dizer: o brasileiro acredita na ciência.

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