PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Gráficas e jornais na Paraíba
Sérgio Botelho – Impressiona qualquer pesquisador da memória pessoense a grande quantidade de gráficas na cidade da Parahyba (atual João Pessoa), no Século XIX, mesmo levando em conta o caráter altamente provinciano, em todos os sentidos, da capital paraibana na época.
O mais curioso, e motivo de orgulho, é a correspondente atividade intelectual vivenciada pela cidade, expressa destacadamente na produção de jornais, com o concurso de círculos intelectuais cada vez mais numerosos. Afinal, eram os jornais o meio mais em voga para publicação de produções literárias.
Lógico que o debate político permeava os editoriais e os artigos de fundo desses jornais, claramente vinculados aos liberais ou aos conservadores ou aos republicanos ou aos monarquistas. Portanto, a um intenso debate político juntava-se a produção de poemas e crônicas viabilizada pelas gráficas.
Essas gráficas se dispunham pela geografia urbana da capital paraibana, ao longo do tempo, especialmente nas atuais ruas Duque de Caxias, Maciel Pinheiro e República, principais marcos de uma cidade que buscava se desvincular da tutela de Pernambuco e assumir modos próprios de pensar.
No Brasil, a impressão gráfica começou a ganhar fôlego com a chegada da Família Real, em 1808. Até então, o que havia era uma proibição total a esse tipo de atividade, na Colônia, somente quebrada pelas raras prensas clandestinas que teimavam em existir.
Com a Independência (1822), o Brasil começou a respirar novos ares no campo intelectual. Gráficas se multiplicaram pelo país, assim como os jornais. A tecnologia também avançou: na década de 1830, a litografia permitiu que jornais publicassem charges políticas e ilustrações, dando vida às notícias.
Já em 1862, surgiu na Paraíba o primeiro jornal diário, O Publicador, de propriedade do tipógrafo José Rodrigues da Costa, embora antes disso haja circulado outros jornais, digamos, devezenquandários. Ao final do Século XIX, é possível contar na casa das dezenas os jornais que apareceram e desapareceram no período.
Enfim, em 1893, no governo republicano de Álvaro Machado, surge o jornal A União, em circulação diária até os dias de hoje, rodado na Imprensa Oficial do Estado, herdeira de toda a experiência gráfica que historicamente existiu na Paraíba.
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