A revolução estética da revista Era Nova

PARAHYA E SUAS HISTÓRIAS. A revolução estética da revista Era Nova

Sérgio Botelho – Em 21 de março de 1921, às vésperas da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, circulava, em João Pessoa, pela primeira vez a revista Era Nova, uma verdadeira revolução na arte gráfica local. Em seu primeiro número, trazia na capa (conforme se vê na imagem) a “senhorinha” Maria do Ceo da Silva, filha do industrial Tito Silva, um dos fundadores do jornal A União, e proprietário de uma das mais icônicas indústrias de bebidas já existentes na cidade.

O nome da revista se inspirava em experiência de “alguns moços bananeirenses {que} ali estamparam uma pequena Era Nova, em que se concentravam os seus ideais e aspirações de arte, letras e civismo”, explicavam os editores, no primeiro número. Aliás, a maioria dos dirigentes era da cidade de Bananeiras, a exemplo dos editores Severino de Lucena, filho do presidente do estado, Solon de Lucena, bananeirense ilustre, e Sinésio Guimarães Sobrinho.

A revista foi festejada, além da Paraíba, em Pernambuco, como é possível ver de comentário publicado no Jornal do Comércio, do Recife, e reproduzido em número subsequente da Era Nova, considerando a publicação “uma linda revista”, apresentando “uma feitura excelente, desde a tipagem escolhida à nitidez das ilustrações”. Um luxo, portanto, para a época.

Desde o número inaugural, a publicação mostrava ser quase 100% dedicada à cultura, especialmente às letras, contando com a colaboração de intelectuais da Paraíba e de outros estados. Ela circulou, quinzenalmente, por cinco anos, entre 1921 e 1925, encerrando logo após o final do governo Solon de Lucena. Por sinal, a revista era impressa nas gráficas da Imprensa Oficial, onde também era rodado o jornal A União.

Em seu primeiro número colaboraram o próprio presidente Solon de Lucena, o sempre requisitado Carlos Dias Fernandes, o prestigiado agrônomo Lauro Montenegro, o professor Abel da Silva, o indispensável Coriolano de Medeiros, os poetas Ildefonso Bezerra, Adhemar Vidal e Jonas Montenegro, o redator Alfredo Silveira e o editor Sinésio Guimarães Sobrinho. Contou ainda com um texto enviado por Rui Barbosa.

Embora a revista tenha tido uma duração relativamente curta, sua influência foi profunda. Ela ajudou a consolidar um movimento literário paraibano e estimulou a produção cultural em João Pessoa. A Era Nova é frequentemente lembrada como um símbolo do dinamismo cultural da Paraíba no início do século XX, e seu legado é reconhecido em estudos sobre a história literária do estado.

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