A mais nova postagem do poeta, escritor e acadêmico Hildeberto Barbosa Filho, no Facebook, da série “Pensamentos Provisórios“, revela profunda conexão entre o ser humano e o ambiente que o rodeia, que se revela em um espaço tão simples e ao mesmo tempo tão carregado de significados como um banco de praça.
A ideia de se entregar por inteiro ao banco da praça, sem reservas, reflete uma entrega à própria vida e aos momentos fugazes que, muitas vezes, passam despercebidos. A simetria do mundo, o verde da grama, e os canteiros de flores falam da harmonia e da melancolia presentes na natureza e na existência.
É um texto que convida à reflexão sobre a simplicidade e a profundidade do cotidiano, sobre a beleza que reside nos pequenos detalhes e na conexão que podemos estabelecer com o mundo à nossa volta.
Na sequência, o texto completo:
“Faz alguns dias, me apaixonei por um certo banco de praça. Dei de visitá-lo, principalmente em fins de tarde, naquela hora em que o crepúsculo se mistura, indiferente, com a minha intimidade emotiva. Sento-me para observar a calidez das árvores, este ou aquele que passam, com seu destino indecifrável, sua história única. Vejo que o mundo é dotado de uma estranha simetria. Há certo rigor na espessura das coisas. O verde da grama me dá lições de intensidade e beleza. Os canteiros de flores variadas possuem a doce tristeza dos bens naturais. Sinto o fremir do tempo pressionando minhas veias, O calor da vida aquecendo minha alma. O banco da praça me tem por inteiro e por inteiro a ele me entrego, sem reservas nem condições“.
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