“A feira”, por Chico Lino

Não há surpresa alguma, em termos de beleza e simplicidade, o novo poema de Chico Lino, publicado no Facebook, que se expressa na saudade do menino, como se ele tentasse capturar o que já se foi, nas telhas que representam o teto que o protege, mas também o aprisiona.

O galo, que anuncia a manhã, também marca o fim da esperança do menino. A madrugada parte com o canto do galo, e o dia que nasce traz consigo a confirmação da solidão. Há uma aceitação melancólica nessa partida, onde o menino, impotente, só pode expressar sua dor em lágrimas e silêncio.

No todo, o poema é uma reflexão sobre a infância e a dureza das ausências que moldam nosso ser. É um belo exemplo de como a poesia pode transformar experiências simples em profundas meditações sobre a existência.

Na sequência, o poema de Chico Lino:

meu pai partia para a feira
da cidade vizinha
e levava a minha
madrugada com ele.

eu também queria ir.

o pedido era inútil,
o choro era inútil,
aquela madrugada era inútil
depois que meu pai partia.

restava ao menino desenhar,
com os olhos
molhados nas telhas,
a saudade que ficou do pai.

a madrugada
partia também
no canto do galo.”

chico lino filho


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